No Casal da Raposa
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domingo, setembro 30, 2001
segunda-feira, setembro 24, 2001
terça-feira, maio 29, 2001
Entrevista - Dr. Jorge Sampaio – Presidente da República
Manuel Araújo
O Sr. Presidente vai visitar a Suíça nos próximos dias 4 e 5 de junho, mais concretamente Genebra. Qual é a importância que atribui a esta sua visita?
Dr. Jorge Sampaio:
A minha deslocação a Genebra deve-se, em primeiro lugar, ao convite da OIT, Organização Internacional do Trabalho, para, como convidado de honra, discursar na conferência anual da organização. É um convite que muito me honra e que atribuo à importância que Portugal e os portugueses têm vindo a conquistar e que já hoje lhes é reconhecida em todo o mundo. Não podia deixar de aproveitar ainda a minha deslocação a Genebra para me encontrar com a comunidade portuguesa na região, e também de outros cantões da Suíça, pois sei que a habitual generosidade e dedicação dos nossos emigrantes justificará a sua deslocação de vários pontos do país. Como os nossos emigrantes sabem, sempre que posso gosto de me encontrar com eles. Antes de mais, para os ouvir e sentir como vivem longe da sua terra, mas sempre muito ligados ao que se passa em Portugal. Mas igualmente porque é justo reconhecer que os emigrantes portugueses contribuem, também eles, de forma significativa, para a imagem positiva que Portugal consolidou no mundo e transmitir-lhes o apreço do Estado português. Finalmente, terei ainda ocasião e interesse em falar com a Alta Comissária das Nações Unidas para os Refugiados, Sra. Ogata, sobre a questão dos refugiados timorenses em Timor Ocidental.
Globalização. Não estará o mundo, incluindo Portugal, a ficar demasiado "globalizado"? Esta tendência não poderá criar graves problemas sociais, como a desertificação?
Dr. Jorge Sampaio:
Como vou afirmar no meu discurso junto à OIT, é verdade que a globalização dos mercados financeiros, o aumento do poder das empresas transnacionais e a revolução das tecnologias da informação e da comunicação agravaram a situação de desigualdade em que vivem regiões imensas do mundo e enormes grupos de pessoas. É indesmentível que estamos perante novos riscos e sérias ameaças que põem em causa regras, sistemas e organizações que tiveram um papel decisivo na promoção e na defesa dos valores da dignidade humana e da solidariedade social. Mas recuso a ideia de que os imperativos da competitividade empresarial nos obrigam a escolher entre a eficiência económica e a justiça social. Não estamos condenados a um futuro em que os maiores vençam sempre os mais pequenos e em que a ética social seja sacrificada à competitividade empresarial. A meu ver, podemos e devemos fazer muito para que a economia contribua para melhorar as condições de vida da humanidade e satisfazer as suas necessidades e os seus anseios.
Estamos prestes a comemorar mais um Dia 10 de Junho. Quais são os valores que o Sr. Presidente da República pretende e deseja transmitir aos jovens num dia tão especial para todos os portugueses?
Dr. Jorge Sampaio:
A mensagem que penso dever transmitir aos portugueses, em geral, e aos jovens, em particular, é de confiança no futuro e de responsabilidade no presente. Herdeiros de uma cultura e de uma história multisseculares, devemos encontrar aí o impulso para nos modernizarmos como sociedade, preparando as gerações mais jovens para o novo mundo, que é mais exigente, complexo e competitivo. Estamos conscientes de que temos dificuldades e de que há desafios importantes a vencer. Sabemos que temos de investir a fundo na educação, na cultura e na ciência, pois o futuro dos países depende da qualidade e preparação dos seus cidadãos. Ao respondermos a este desafio, estamos a preparar um futuro melhor para todos os portugueses. É essa a responsabilidade que devemos assumir neste Dia de Portugal.
Uma mensagem do Sr. Presidente à comunidade portuguesa na Suíça...
Dr. Jorge Sampaio:
Para além do que já afirmei na resposta anterior, não quero deixar de assinalar o quanto anseio pelo encontro com a comunidade portuguesa que vou realizar em Genebra, onde espero ouvir e sentir os anseios dos portugueses. Sei que, como é habitual entre as gentes portuguesas, têm honrado e dignificado o país, como as autoridades suíças me têm referido, o que devo agradecer em nome do Estado. Mas sei também que vivem um momento de esperança, na medida em que os acordos da Confederação Helvética com a União Europeia irão, seguramente, melhorar as suas condições de vida e aumentar as expectativas de integração. Estou solidário com todos nessa esperança. Finalmente, e como sempre, os votos de felicidade para as famílias portuguesas, para que continuem a ter o maior sucesso nas vossas vidas.
domingo, setembro 24, 2000
domingo, abril 16, 2000
terça-feira, março 28, 2000
Manuel Alegre - Entrevista
Manuel Araújo - 28-3.2000
Prémio Pessoa 99 e Fernando Namora - Qual é o sentimento de receber estes dois prémios ?
Recebi vários prémios este ano. Recebi, primeiro, o prémio da Secção Portuguesa Associação Internacional dos Críticos Literários, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, prémio Fernando Pessoa e o prémio Fernando Namora para o romance. O mais significativo de todos é, sem dúvida, o prémio Fernando Pessoa, que é hoje uma grande referência cultural no nosso país. Nunca escrevi a pensar nos prémios. A minha amiga Sofia, diz que pensar nos prémios faz mal à cabeça e eu estou de acordo com ela, nunca pensei e nunca escrevi a pensar nisso. Evidentemente, que é agradável receber prémios, são sobretudo uma responsabilidade acrescida quando se recebe um prémio com o significado como o do Fernando Pessoa. Mas, não é o prémio que faz ou desfaz uma obra, é, talvez, um momento de consagração, de reconhecimento. Contudo, o meu maior prémio, são os meus leitores, sobretudo quando os meus livros eram proibidos e se faziam cópias manuscritas ou dactilografadas porque não haviam máquinas de fotocópias e os livros circulavam manuscritos ou dactilografados, esse é que é o prémio principal.
A poesia de intervenção tem os dias contados?
Não sei muito bem o que é poesia de intervenção. Oiço muito falar nisso mas não sei bem porque se chama e porquê. Quem escreve, escreve para intervir. Depende das circunstâncias históricas, evidentemente, se vivemos numa ditadura ou numa tirania um poema pode ter um determinado significado. Ainda ontem, no discurso que fiz, falei num grande poeta russo que foi deportado e morreu a caminho da Sibéria. Quando foi deportado, disse á mulher que a poesia é o poder, a mulher julgou que tinha enlouquecido, só depois é que percebeu que ele morreu por causa de um poema contra o Stalin. Mas a verdade é que hoje as estátuas do Stalin são derrubadas e erguem-se estátuas a ele. Nesse sentido, um poema pode ter um grande significado imediato ou um grande significado histórico. Eu próprio, escrevi alguns poemas que foram transformados em hinos da resistência, mas, nenhuma poesia é de intervenção e toda ela é de intervenção.
Foi fácil fazer coabitar a política com a poesia?
Olhe, isso é uma pergunta que me fazem sempre. A poesia dificilmente coabita com algo que não seja ela, acho, que a poesia, é algo que está aquém e além da literatura. Costumo dizer, que é uma relação mágica com o mundo. É uma relação do mundo através da palavra poética, ou, a Liberdade Livre de que falava Ramboa. É uma coisa exclusiva e quase totalitária que dificilmente convive com outra coisa, simplesmente, também, não há separação da escrita e da vida. A minha geração foi um pouco invadida e ocupada pela história muito marcada. Pela circunstância histórica de um povo que viveu fora da história ou como aqueles poetas que se consideram inespaciais, intemporais como dizia com ironia João Cabral; portanto, foi a vida… foi a vida. Também, se não tivesse vivido o que vivi, provavelmente não teria escrito o que escrevi.
No livro Alma, que é de grande profundidade pelos valores cívicos, sociais e republicanos, fica uma pergunta em aberto, citamos:
„Mas a quem tenho eu de agarrar pelos pés e bater com a cabeça no chão para que de uma vez por todas me digam porque é que uns usavam sapatos e outros não?“
Já lhe responderam a esta pergunta?
(risos) Eu próprio respondi a essa pergunta. Procurei a resposta na base da injustiça. Essa pergunta é uma metáfora, mas realmente eu fazia essa pergunta quando era pequeno, porque eu lembro-me desse Portugal, do pouquechinho, da muita miséria, da muita pobreza. Eu andei numa escola em Águeda, pertencia a uma família privilegiada em relação à maior parte dois meus companheiros de escola que iam descalços, haviam muito poucos que usavam sapatos , alguns chancas, outros andavam descalços e eu fazia essa pergunta. Essa pergunta tem a ver com a desigualdade da origem, a única resposta é criar as condições para que haja igualdade de oportunidades, as pessoas são diferentes , não há igualdade no fim, mas tem que se criar cada vez mais condições de igualdade à partida. Eu por exemplo, se fosse filho do pai do Joaquim Pereira, que é um rapaz meu colega, que por acaso era o melhor aluno da minha classe, que era operário, tinha, se calhar, ficado como ele com a oficina e assobiava ou tocava guitarra ou tocava flauta, mas não escrevia aquilo que escrevo.
Uma pergunta do Luís Esteves:
Os grandes poemas do Manuel Alegre nasceram de momentos de grandes paixões?
(risos) A grande paixão é a vida e a vida é feita de múltiplas paixões. Não é apenas a paixão de um homem por uma mulher mas a paixão de um homem por muitas coisas; pelo Mar, pelo País onde se nasceu, pela Pátria, pela Liberdade e pela vida nas suas múltiplas facetas.
O idealismo político, neste mundo da globalização, tem futuro?
Não, este é um tempo a que chamaram a era do vazio, pós modernismo, o princípio de prazer que se sobrepõe o egoísmo, o narcisismo, o carreirísmo que se sobrepõe às convicções e aos ideais. Mas estas coisas são cíclicas e os ideais não morrem.
Que é ser político nos fins do século XX?
Ser político no século XX, XXI,XXII ou no século 1 é sempre a mesma coisa. É uma pessoa procurar lutar pelo bem comum, ter uma certa ideia da rés publica, da coisa pública, que é isso que neste momento está em crise, é o espírito do serviço de servir a coisa pública, de servir os outros, de procurar sobretudo o bem estar geral e o bem comum.
Que é ser socialista hoje?
(risos) Ser socialista hoje, é ter uma visão que não seja uma visão resignada nem conformista. É continuar a acreditar que é possível um projecto de transformação da sociedade, é não passar o Estado à clandestinidade, é não acreditar que o mercado entregue a si mesmo resolve todos os problemas, é conciliar a economia de mercado com a justiça social, é conciliar a economia de mercado com o papel do Estado, não apenas como regulador mas também como interventor instrumento de correcção das injustiças e das desigualdades. E é colocar, enfim, a realização da Justiça num sentido amplo acima dos negócios, é uma pessoa continuar a bater-se por uma ética dos valores e pelo primado da política como pelo primado da política sobre a Economia e o economicismo, aquilo que é hoje a ditadura dos mercados financeiros.
Uma data e uma personagem ?
São muitas, mas uma data é o 25 de Abril de 1974, sem qualquer dúvida nenhuma. Personagens são muitas, conheci grandes figuras deste século, por exemplo o Che Guevara... entre outros. Mas, como amigo, companheiro de combate e luta nas grandes batalhas da Liberdade do nosso país foi, sem dúvida nenhuma, o meu querido amigo Mário Soares
Como é que vê a integração da diáspora portuguesa no país real?
È difícil de responder… nós somos um país que se fez muito para fora. Muitos grandes portugueses, a começar pelo Camões, foram emigrantes. Portugal foi muito feito de fora para dentro e continua a ser um país de emigrantes. Penso que se deram hoje grandes passos, quer no ponto vista dos direitos dos emigrantes, quer do ponto de vista dos direitos que estão consagrados na Constituição, quer da maneira como o próprio Estado Português tem negociado com os países de acolhimento. Hoje, é muito diferente a situação dos emigrantes portugueses daquela que eu vi, por exemplo, no início dos anos 60 quando cheguei a Paris onde me inteirei de portugueses a viverem em condições infra-humanas nos “Bidons Villes”. Alguma coisa mudou, estamos, sobretudo, na Europa neste período de construção da União Europeia e os emigrantes portugueses são cidadãos da Europa.
Para quando a sua próxima visita à Suíça ?
Isso não sei dizer. Fui convidado recentemente mas não pude ir, espero ter um dia destes a possibilidade de o fazer. Quando estava no exílio, passava frequentemente por Genebra e por Lausana, onde tinha amigos, como; o António Barreto, Eurico de Figueiredo e o Medeiros Ferreira. Passava frequentemente por lá, quando ia a caminho de Argel como quando viajava para Paris também passava pela Suíça. Não só foi um local de acolhimento para os emigrantes de hoje, mas, sobretudo, para os exilados da altura, é preciso não esquecer disso. A Suíça, com todas as suas características, foi um dos poucos países da Europa que reconheceu aos exilados portugueses o estatuto de refugiados políticos.
Uma palavra, recomendação ou conselho aos nossos emigrantes ?
Em primeiro lugar uma palavra de solidariedade, porque eu também fui emigrante. Fui emigrante político mas também foi emigrante. Preservar a Língua, transmitir a Língua aos filhos porque a Língua é o nosso melhor bem e a Língua é a nossa própria identidade. Perder a Língua, é perder a alma e nós não devemos perder a nossa alma lusíada e isso é o principal de tudo. Preservar a Língua e transmiti-la aos filhos, aos netos, porque a nossa Língua, além de ser a de Camões, é uma das mais belas Línguas do Mundo como é também a terceira Língua da Europa Ocidental mais falada em todo o Mundo. Por isso, os portugueses devem ser os primeiros a terem a obrigação de a falar e de a preservar.
Diamantes, Angola, família Soares — quer comentar?
Isso tratou-se de uma calúnia infame. O Dr. Mário Soares foi um homem que sempre lutou pelos Direitos Humanos e nos Direitos Humanos não pode haver dois pesos e duas medidas. Não podemos defender os direitos na Jugoslávia e esquecê-los noutros países, mesmo em Angola. Fui militante anti-colonialista, desde a primeira hora estive preso em Angola, sempre fui solidário até com o MPLA, mas, isso não quer dizer que possa estar de acordo com as violações dos direitos Humanos e muito menos aqui não se trata de defender das calúnias contra o Mário Soares que foi presidente da Republica e membro do Conselho de Estado ou de João Soares que é presidente da Câmara Municipal de Lisboa. São calúnias que atingem a dignidade do Estado português e por isso mesmo, o nosso presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, reagiu com muita firmeza, com muita clareza e muita dignidade porque trata-se não de uma questão pessoal, mas duma questão com o nosso próprio país e com o Estado português.
Curriculum
Manuel Alegre de Melo Duarte
Nasceu em Águeda a 12 de Maio de 1936
Possui o 3º ano da Faculdade de Direito de Coimbra, é Escritor e desempenha actualmente o cargo de vice-presidente da Assembleia da República, é Membro do Secretariado Nacional e da Comissão Nacional do PS.
Exerceu os cargos de vice-presidente da Assembleia da República na VII Legislatura, foi Secretário de Estado da Comunicação Social, Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro, Presidente e vice-presidente da Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros, vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, Presidente da Delegação da Assembleia da República ao Conselho da Europa, vice-presidente da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Deputado à Assembleia Constituinte, Deputado à Assembleia da República nas I, II,III,IV,V,VI e VII Legislaturas.
Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, Comenda da Ordem de Isabel “A Católica”, Medalha de Mérito do Conselho da Europa, Grande Oficial de D´Higgins (Chile), Diploma de Membro Honorário do Conselho da Europa.
Títulos literários e científicos: Conferências em Escolas e Universidades Nacionais e Estrangeiras; A sua obra tem sido objecto de estudos e teses em universidades nacionais e estrangeiras: Universidade Nova (Lisboa), Faculdade de Letras (Coimbra), Universidade Livre de Bruxelas, Universidade Livre. de Gaulle, Lille, Universidade de Nice, Bologna, Instituto Orientale (Nápoles).
Obras Publicadas: Praça da Canção; O Canto e as Armas; Lusiade Exilé; Um Barco para Ítaca; Letras; Coisa Amar; Nova do Achamento; Atlântico; Babilónia; Chegar Aqui; Aicha Conticha; Jornada de África (Romance); O Homem do País Azul (Contos); Obra Completa (Poesia); Rua de Baixo; Com que Pena ( Vinte Poemas para Camões); Coimbra nunca Vista; Sonetos do Obscuro Quê; Trinta Anos de Poesia; Alma (Romance).
quarta-feira, fevereiro 02, 2000
Entrevista - Manuel Araújo
Adélio Amaro
1 - Vivendo alguns anos na Suíça e agora a residir em Portugal, como surgiu a ideia de fundar um jornal dedicado aos portugueses residentes no país referido?
Foram quase 20 anos de permanência no país helvético, onde, profissionalmente passei por sectores da Hotelaria, Indústria, Saúde e pela Comunicação Social. Neste último, fiz parte da equipa redactorial de um jornal comunitário, que iniciava na altura, a sua actividade naquele país.
Foi nessas andanças, que o meu amigo Adelino Sá (hoje director da Gazeta Lusófona) me conheceu, juntou-se também á nossa equipa, mas, com o passar do tempo, não nos sentíamos realizados, a nossa acção era limitada, a rédea era curta e além disso, tínhamos também, uma concepção diferente do que deveria oferecer um verdadeiro jornal para o emigrante. Sabíamos exactamente o que queríamos, por isso, depois de alguns entraves e atropelos a algumas das nossas iniciativas, rompemos com o referido jornal e no dia 25 de Abril de 1998, nasceu o embrião do que é hoje o Gazeta Lusófona.
2 - Os portugueses e descendentes dos mesmos têm aderido bem ao projecto 'Gazeta Lusófona'?
O emigrante português, salvo raras excepções, não tem hábito de leitura. Os jornais que por vezes lêem, são os desportivos (eles) e (elas) a "Maria" e nós tinha-mos consciência, que ia-mos encontrar uma barreira muito alta para ultrapassar, não podíamos chegar e ..."toma lá Cultura !"
Foi por isso, que aceitamos o desafio com determinação e que hoje, já se sentem os seus frutos, são cada vez mais pessoas de todos os sectores da Sociedade que nos acarinham, incentivam e lêem, isso é gratificante e dá-nos força para ir mais além.
A "Cultura", neste caso, tem sido servida como um medicamento, bem doseada, pois se a dose for excessiva, o paciente, sente-se mal e pode até morrer... quero dizer, deixar de ler.
3 - Como poderemos classificar o 'Gazeta Lusófona'?
A classificação oficial do Gazeta Lusófona, de acordo com o deliberado pela AACS, é como sendo - "uma publicação periódica, portuguesa, de informação geral e destinada ás comunidades portuguesas" - e eu acrescento, "abrangente e de teor cultural ", pois, desde o número zero, não abdicamos de secções culturais fixas, tais como Literatura, Poesia (consagrados e inéditos), História, Culinária, Esoterismo, Humor etc.
Tem sido com muito orgulho, que temos contribuído para o aparecimento de novos valores na comunidade, tanto na área das artes, das letras ou outras.
4 - Além dos portugueses residentes na Suíça tem sentido eco dos residentes em Portugal?
O Gazeta, é em Portugal, praticamente desconhecido, porque não fazemos promoção, mesmo assim, pode ainda ser encontrado em alguns pontos de venda, e em muitas Instituições oficiais e é lido com agrado.
Existem muitos ex-emigrantes que regressaram e continuam a ser fieis ao nosso projecto, querem continuar a ser informados do que se passa lá, são eles os nossos melhores promotores, fazendo cada vez mais assinaturas que oferecem a familiares e amigos.
5 - As entidades portuguesas, em Portugal e na Suíça, têm colaborado com o Jornal?
O único apoio que tivemos desde a nossa criação, foi apenas o Porte Pago, foi sacado a ferros, deu a impressão que alguém punha areia na engrenagem... Excluindo o Porte Pago, tanto cá, como lá... palavras, palavras, palavras, só isso.
6 - Quais são os temas principais que um leitor pode ler ao folhear o 'Gazeta Lusófona'?
Como já referi anteriormente, não abdicamos das secções fixas da Literatura, Poesia, da História, da Culinária a cargo do Chefe Silva, meu conterrâneo e amigo, o Esoterismo, o Humor, as informações e regulamentações sobre o trabalho, Leis, os Consultório Social e Jurídico, as informações e reportagens de tudo que se passa no vasto Movimento Associativo (existem na Suíça, cerca de 400 associações de portugueses).
Quem quer que seja, mesmo muito exigente ou crítico, encontrará sempre algo, que lhe agrade, porque existe um leque muito alargado de opções de leitura.
7 - Acha que um jornal português na Suíça, como o 'Gazeta Lusófona', poderá ser quinzenário ou semanário?
Sem dúvida, mas a curto prazo, isso, está fora de questão.
Como sabes, estamos limitados em meios, continuamos a evoluir favoravelmente e vamos continuar nos moldes actuais, com passos curtos, mas seguros.
8 - Sente que este Jornal tem contribuído para uma maior ligação entre os portugueses na Suíça e os acontecimentos em Portugal?
Um exemplo mais que positivo, que conheces bem, é a tua página com as notícias da região de Leiria, que mensalmente nos presenteias. É muitíssimo apreciada, pelas gentes emigradas da região de Leiria. É nossa intenção, alargar a experiência a outras zonas de Portugal, pois, é já uma exigência dos portugueses de outras regiões...
9 - Ao elaborarem o Gazeta quais têm sido as maiores preocupações e dificuldades que têm encontrado?
No início, quando embarcamos nesta aventura, passamos um mau bocado, éramos carenciados de tudo, valeram-nos as nossas contas bancárias privadas, para suportar todos os encargos necessários para a saída do jornal. Fizemos das tripas coração, mas saiu sempre religiosamente na primeira semana de cada mês, nunca falhamos... Recordo, que o Porte Pago, apenas nos foi atribuído 14 meses depois do nosso início de actividade e cada jornal, para ser enviado para a Suíça, custava 200 esc. cada, era muito dinheiro... hoje, estamos na linha d´água...
Gostaríamos de renovar equipamentos e mobiliário, de ter mais um jornalista a tempo inteiro e de ter capacidade para remunerar os nossos colaboradores... Estamos presentemente, a elaborar um projecto de candidatura aos incentivos de Modernização Tecnológica, vamos ver o que dá…
10 - Sentem necessidade de aumentar a vossa área de intervenção para outros países?
A curto prazo, está fora de questão, mas não está excluída totalmente essa possibilidade.
11 - Além dos acontecimentos dos portugueses na Suíça tem havido uma preocupação da vossa parte para os assuntos que se destacam em Portugal?
A prioridade da nossa informação, vai para os acontecimentos na Suíça, e como já á pouco referi, dar também conhecimento das pequenas notícias, das várias regiões de Portugal. Da grande informação de Portugal, tem já o emigrante conhecimento, através da RTPi ou da SIC internacional.
12 - A área cultural aparece sempre nas folhas do Gazeta. Qual o vosso objectivo ao apostarem muito na cultura, seja ela histórica ou actual?
Como disse, foram inúmeros, os anos de fome cultural, passados na Suíça, por isso, vamos continuar com o nosso projecto, tentando recordar aos mais velhos e ensinar os mais novos, com textos curtos e incisivos, quem foi Camões, Pessoa, Garrett, Namora, o 25 de Abril etc. e que Portugal existe.
Em suma, reavivar e manter o elo da nossa nacionalidade, através da Língua de Camões.


