quarta-feira, agosto 20, 2003

Medalha de Mérito Municipal para o escultor Quintino Vilas Boas Neto

Manuel Araújo

A Câmara Municipal de Esposende atribuiu ao escultor Quintino Vilas Boas Neto, a Medalha de Mérito Municipal do Município, como reconhecimento dos munícipes de Esposende, à sua obra e ao seu contributo artístico da arte de trabalhar o granito na região.

A entrega do galardão decorreu no dia 19 de Agosto, em Sessão Solene, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Esposende.

O presidente da Câmara, Fernando Cepa, elogiou o trabalho desenvolvido pelo artista, agradecendo: “ao sr. Quintino Neto, o nosso reconhecimento pela sua dedicação à arte popular da pedra, e que aqui também representa todos aqueles que se dedicam a este nobre ofício".



Quintino Vilas Boas Neto nasceu em Esposende a 15 de Março de 1915, vindo de uma familia modesta, mas com grandes tradições no trabalho da pedra, de seu pai ele aprendeu a difícil arte do lavrar a pedra, ou seja o granito, trabalhando-a de tal maneira, que mais parecia estar a talhar madeira. Foi um dos grandes impulsionadores desta actividade económica e, sobretudo, cultural.

Cedo descobriu um certo talento para a criação, porém a necessidade de ganhar dinheiro para o sustento da familia não Ihe permitiam tais veleidades, sendo obrigado a cumprir compromissos profissionais nesta arte, deixando um pouco de parte a sua veia de artista.

Só muitos anos mais tarde (em finais da década de sessenta, do séc. XX poderá satisfazer esta sua pretensão de criar. Mestre Quintino deixa para trás anos como canteiro e lavrista, ao longo dos quais sairam das suas mãos peças que embelezam e prestigiam casas e capelas por esse pais fora, marcando o nome de Esposende nas muitas pedras que foi trabalhando, e dedica-se a tempo inteiro à sua “arte” - os santinhos de granito.

Na actualidade é grande a actividade ligada ao trabalho da pedra no concelho de Esposende. Muito desse trabalho é o corolário do esforço árduo e teimoso de um homem que um dia sonhou “criar a pedra”.

Indiscutivelmente foi das suas mãos que sairam as primeiras peças em granito que fizeram e fazem a história da escultura popular no concelho de Esposende, podendo mesmo ser apelidado de “pai dos santinhos de granito” de Esposende.

É neste contexto de trabalho, de criação, de divulgação do nome de Esposende além fronteiras, do amor à própria terra, que muitas vezes transferiu para as pedras que trabalhava e de dedicação a uma “arte popular” por si criada e que hoje em dia é um dos cartões de visita de Esposende que se destacou Quintino Vilas Boas Neto.

Desde sempre moldou o granito, mármore e madeira, ensinou a arte aos filhos, atrás deles um sem fim de “escultores” populares que, mantendo esta mesma linha ou com novas criações, viram no Mestre Quintino o seu percursor.
Inspirando-se em todo o género de motivos para que os seus trabalhos fossem apreciados e vendidos, encontrando-se espalhados pelo país e estrangeiro. Santos, santas, fogões de sala, nichos, mulheres e homens nús — “fazia tudo que me pediam, a vida era dura... cheguei a vender obras a 100 escudos, era uma autêntica miséria...”.— recorda tristemente.



Com 87 anos, viúvo e uma grande jovialidade, recorda os momentos áureos das entrevistas aos jornais e a visita a um programa televisivo, muito famoso na altura, que muitos se recordarão, por certo, do “ZIP ZIP”, que tinha como apresentadores o Raul Solnado, Fialho Gouveia e o Carlos Cruz.
Expôs várias vezes, na costa do Estoril e na Feira Internacional de Lisboa, ainda antes do 25 de Abril. Recorda com malícia, um episódio num desses certames, em que um Ministro da altura, que já não recorda o nome, obrigou-o a retirar ao tamanho do pénis de uma estátua de pedra de um nú, apenas por achar que “o coiso” era comprido demais; ...“ e ali mesmo tive de fazer a operação”... conta-nos com um largo e maroto sorriso.

No dia anterior à condecoração, apanhou um grande susto, sentiu-se indisposto e no leito, com o seu habitual e refinado humor, segreda aos mais próximos: “lá se vai a medalha... querem ver que vou morrer hoje?”
Ficou muito satisfeito em ter sido homenageado e espera ter saúde para continuar a dar forma a pedaços de madeira, que ainda, transforma em imagens variadas, para assim vender e equilibrar o seu próprio orçamento, já que a sua reforma é “curta”.

sexta-feira, agosto 08, 2003

“Cancros”do Rio Homem

Esgotos do Concelho de Terras de Bouro, vão directamente para o Rio Homem.



O Rio Homem continua a receber alguns dos esgotos domésticos e presumívelmente industriais, do Concelho de Terras de Bouro. Um “problema ambiental grave, um atentado à saúde pública”, afirmam populares.


Manuel Araújo


Em Pesqueiras, Terras de Bouro, junto ao local onde está instalado um colector, onde presumivelmente convergem os efluentes domésticos ou pluviais da sede do concelho e os da freguesia de Moimenta, encontra-se um tubo, uns metros mais abaixo, dissimulado pela intensa vegetação, que efectua descargas poluentes no ribeiro Gordairas, que é afluente do rio Homem.


O aspecto do leito do ribeiro, no local da descarga é desolador, pois, além de outras matérias poluentes, inerentes a um esgoto doméstico, existe também óleo negro, pesumivelmente de motor, na superfície e nas margens. O ribeiro é horrívelmente nojento, nauseabundo e com um cheiro pestilento.


Afirma um morador, o sr. João, que “não há ainda, qualquer estação de tratamento a funcionar” e que, "temos uma ETAR que está quase pronta, mas ainda não funciona por motivos burocráticos, entretanto, enquanto não resolvem o problema, vai tudo para rio”, afirma.


Outro morador, o sr. João Marques, referindo-se a um tractor cisterna, identificado como sendo da Câmara de Terras de Bouro, disse, que tinha “pena não ter no momento uma máquina fotográfica”, porque o viu “ a descarregar fossa no ribeiro de Gordairas, por baixo do Campo de Futebol, que deixou no ar um cheiro horrível, é uma vergonha” e concluiu dizendo que, “o Ministério do Ambiente devia ser conhecedor deste atentado à saúde pública”.


Ali ao lado, a cerca de duzentos metros, no local onde o ribeiro se junta ao rio Homem, crianças e adultos brincam na água despreocupados. Foi aí que encontramos uma família do sul, que viajava pela primeira vez pelo Minho e falaram connosco. Estavam deslumbrados com o Norte de Portugal, pela hospitalidade das suas gentes, pela verdura, gastronomia, sossego e quietude das águas dos rios. “Este é um local maravilhoso, é mesmo paradisíaco, mas cheira muito mal…”, lamentou o sr. Fernando, enquanto prosseguia com a leitura do seu livro.


Uns quilómetros mais abaixo do local da descarga, alguns pescadores por nós contactados, afirmaram ser frequente a alteração da cor das águas do rio Homem, que dizem ter “dias que parece leite, outros chocolate, não sei o que é, nem sei se é disso (descargas), mas agora aqui não se apanha nada” afirmou o sr. Manuel R., enquanto fazia mais um lançamento e rematava, “ mas já foi pior…”


“Águas turvas em Chamoim”


A linha de enchimento de uma conhecida marca de águas, instalada em Chamoim (Terras de Bouro), pode estar a funcionar em situação ilegal.


Esgotos, provenientes da empresa estão a fazer descargas no rio Rodas, mais conhecido por ribeiro de Pergoim, junto à ponte.


Após vários alertas de pessoas, que afirmam que a água do rio Homem, é por vezes de cor aleitada, subimos o rio e depois o ribeiro até ao local onde está instalada a empresa, afim de averiguar.


Chegamos ao local e de cima da ponte junto da fábrica, eram perfeitamente visíveis dois tubos de esgoto, que no momento da nossa chegada faziam uma descarga colorida.


O líquido despejado pelo esgoto presumivelmente poluidor, naquele momento era escasso e tinha um aspecto aleitado. Descemos de imediato ao ribeiro e recolhemos amostras do líquido, no qual podiam ser observadas em suspensão, partículas azuis e brancas.


“Aquilo queima tudo…”


“Aquilo (esgotos) queima tudo, os pescadores queixam-se de que lhe mataram os peixes e acredito, pois, quase todos os dias o rio fica branco”. Estas afirmações são de uma residente que pede o anonimato, pois “nós precisamos deles, empregam muita gente…” confidenciou.


Receio A unidade fabril está a funcionar naquele local há mais de vinte anos e emprega muitas pessoas, sendo o principal empregador daquela zona, por isso funcionários por nós contactados recusaram-se a comentar as descargas.


Por outro lado, um outro habitante daquela zona, afirmou que aquela descarga “não é perigosa”, que “é das lavagens” e também, que “no inverno nem se nota” porque “o ribeiro leva mais água” referiu.


As trutas


Opinião contrária tem o sr. João Rodrigues, pescador desportivo e conhecedor profundo do rio Homem e do ribeiro de Pergoim, que diz, que “o ribeiro de Pergoim era o principal repovoador de trutas do rio Homem.” E afirma que, “actualmente não existem trutas no ribeiro, a jusante da empresa das águas, porque desde que começaram ali a produzir as garrafas, as trutas desapareceram”. E pergunta, “ porque é, que agora só há trutas dali para cima ?”


O abaixo-assinado


O sr. João Rodrigues, disse ainda, que um grupo de pescadores, está a preparar um abaixo-assinado, com o fim de exigir das autoridades competemtes, medidas para a preservação das espécies no ribeiro de Pergoim e do rio Homem.


Caldelas não sabe o que bebe


Preocupados Os resultados da poluição estão à vista e a Delegação de Saúde de Vila Verde, desaconselhou recentemente os banhos no rio Homem, por isso, alguns moradores de Caldelas por nós inquiridos, já se manifestaram preocupados, pelo facto da captação da água que abastece as termas, ser feita no rio Homem, alguns metros a jusante do local, onde é feita a descarga da ETAR de Caldelas que acusam “nunca ter funcionado como devia”, pondo assim, em causa a salubridade da mesma.


Um dos moradores, referindo-se à água da “companhia”, perguntou: “se a água do rio, não serve para tomar banho, servirá para beber?”


Tudo sob controlo


Sobre os receios e qualidade da água que é fornecida a Caldelas, o presidente da autarquia amarense, José Barbosa, garantiu ao Praça Local que “Caldelas está parcialmente desde o mês de Maio, a ser abastecido com a água do rio Cávado”, que “ passa pela Srª. da Paz sendo depois bombeada a partir da freguesia da Torre” e o “resto do abastecimento, é feito a partir de depósitos e nascentes próprias”. Sossegou a população, garantindo que a água do Cávado“ é analisada semanalmente ou quinzenalmente na pior das hipóteses”.


A “Cimeira do rio Homem”


O edil amarense, inquirido sobre o que pensa, que irá resolver a chamada cimeira do rio Homem disse que, “ se calhar não vai resolver nada, mas, pelo menos para já, vai fazer com que os três municípios (Amares, Vila Verde e Terras de Bouro) tenham uma atitude preventiva relativa ao rio Homem“. Indagado sobre qual dos três municípios era o mais poluidor, foi peremptório em afirmar, “não é Amares que mais contribui para a poluição do Homem“.


“As borbulhas”


Algumas crianças da freguesia da Torre, após banhos no rio Homem, na praia fluvial, notaram o aparecimento de “borbulhas no corpo”. “É da porcaria da água…” afirma uma mãe, que não tinha conhecimento, da recomendação do Centro de Saúde de Vila Verde.


A ETAR


Disse ainda, que na ETAR de Caldelas “foi introduzido equipamento, que lhe permite trabalhar regularmente”. Acrescenta, que os cheiros que se fazem sentir nas imediações, devem-se ao “lixo que é retirado dos tanques, e ali fica a aguardar transporte” o que “deveria ser diáriamente, mas não é”. Refere ainda, que a autarquia deverá “adquirir um camião próprio para esse efeito” pois, “transportar lamas por estrada é complicado” concluiu.


Agosto 2003

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segunda-feira, agosto 04, 2003

“Cancros”do Rio Homem



“Cancros”do Rio Homem


Esgotos do Concelho de Terras de Bouro, vão directamente para o Rio Homem. 

O Rio Homem continua a receber alguns dos esgotos domésticos e presumivelmente industriais, do Concelho de Terras de Bouro. Um “problema ambiental grave, um atentado à saúde pública”, afirmam populares. 

Manuel Araújo 


Em Pesqueiras, Terras de Bouro, junto ao local onde está instalado um colector, onde presumivelmente convergem os efluentes domésticos ou pluviais da sede do concelho e os da freguesia de Moimenta, encontra-se um tubo, uns metros mais abaixo, dissimulado pela intensa vegetação, que efectua descargas poluentes no ribeiro Gordairas, que é afluente do rio Homem. O aspecto do leito do ribeiro, no local da descarga é desolador, pois, além de outras matérias poluentes, inerentes a um esgoto doméstico, existe também óleo negro, pesumivelmente de motor, na superfície e nas margens. O ribeiro é horrivelmente nojento, nauseabundo e com um cheiro pestilento.

Afirma um morador, o sr. João, que “não há ainda, qualquer estação de tratamento a funcionar” e que, "temos uma ETAR que está quase pronta, mas ainda não funciona por motivos burocráticos, entretanto, enquanto não resolvem o problema, vai tudo para rio”, afirma.

Outro morador, o sr. João Marques, referindo-se a um tractor cisterna, identificado como sendo da Câmara de Terras de Bouro, disse, que tinha “pena não ter no momento uma máquina fotográfica”, porque o viu “ a descarregar fossa no ribeiro de Gordairas, por baixo do Campo de Futebol, que deixou no ar um cheiro horrível, é uma vergonha” e concluiu dizendo que, “o Ministério do Ambiente devia ser conhecedor deste atentado à saúde pública”.

Ali ao lado, a cerca de duzentos metros, no local onde o ribeiro se junta ao rio Homem, crianças e adultos brincam na água despreocupados.

Foi aí que encontramos uma família do sul, que viajava pela primeira vez pelo Minho e falaram connosco. Estavam deslumbrados com o Norte de Portugal, pela hospitalidade das suas gentes, pela verdura, gastronomia, sossego e quietude das águas dos rios. “Este é um local maravilhoso, é mesmo paradisíaco, mas cheira muito mal…”, lamentou o sr. Fernando, enquanto prosseguia com a leitura do seu livro.

Uns quilómetros mais abaixo do local da descarga, alguns pescadores por nós contactados, afirmaram ser frequente a alteração da cor das águas do rio Homem, que dizem ter “dias que parece leite, outros chocolate, não sei o que é, nem sei se é disso (descargas), mas agora aqui não se apanha nada” afirmou o sr. Manuel R., enquanto fazia mais um lançamento e rematava, “ mas já foi pior…” 

“Águas turvas em Chamoim”


A linha de enchimento de uma conhecida marca de águas, instalada em Chamoim (Terras de Bouro), pode estar a funcionar em situação ilegal.

Esgotos, provenientes da empresa estão a fazer descargas no rio Rodas, mais conhecido por ribeiro de Pergoim, junto à ponte. Após vários alertas de pessoas, que afirmam que a água do rio Homem, é por vezes de cor aleitada, subimos o rio e depois o ribeiro até ao local onde está instalada a empresa, afim de averiguar. Chegamos ao local e de cima da ponte junto da fábrica, eram perfeitamente visíveis dois tubos de esgoto, que no momento da nossa chegada faziam uma descarga colorida. O líquido despejado pelo esgoto presumivelmente poluidor, naquele momento era escasso e tinha um aspecto aleitado. Descemos de imediato ao ribeiro e recolhemos amostras do líquido, no qual podiam ser observadas em suspensão, partículas azuis e brancas.  

“Aquilo queima tudo…”


“Aquilo (esgotos) queima tudo, os pescadores queixam-se de que lhe mataram os peixes e acredito, pois, quase todos os dias o rio fica branco”. Estas afirmações são de uma residente que pede o anonimato, pois “nós precisamos deles, empregam muita gente…” confidenciou.

ReceioA unidade fabril está a funcionar naquele local há mais de vinte anos e emprega muitas pessoas, sendo o principal empregador daquela zona, por isso funcionários por nós contactados recusaram-se a comentar as descargas. Por outro lado, um outro habitante daquela zona, afirmou que aquela descarga “não é perigosa”, que “é das lavagens” e também, que “no inverno nem se nota” porque “o ribeiro leva mais água” referiu.

As trutasOpinião contrária tem o sr. João Rodrigues, pescador desportivo e conhecedor profundo do rio Homem e do ribeiro de Pergoim, que diz, que “o ribeiro de Pergoim era o principal repovoador de trutas do rio Homem.” E afirma que, “actualmente não existem trutas no ribeiro, a jusante da empresa das águas, porque desde que começaram ali a produzir as garrafas, as trutas desapareceram”. E pergunta, “ porque é, que agora só há trutas dali para cima ?”

O abaixo-assinado

O sr. João Rodrigues, disse ainda, que um grupo de pescadores, está a preparar um abaixo-assinado, com o fim de exigir das autoridades competemtes, medidas para a preservação das espécies no ribeiro de Pergoim e do rio Homem.

Caldelas não sabe o que bebe

Os resultados da poluição estão à vista e a Delegação de Saúde de Vila Verde, desaconselhou recentemente os banhos no rio Homem, por isso, alguns moradores de Caldelas por nós inquiridos, já se manifestaram preocupados, pelo facto da captação da água que abastece as termas, ser feita no rio Homem, alguns metros a jusante do local, onde é feita a descarga da ETAR de Caldelas que acusam “nunca ter funcionado como devia”, pondo assim, em causa a salubridade da mesma.

Um dos moradores, referindo-se à água da “companhia”, perguntou: “se a água do rio, não serve para tomar banho, servirá para beber?”

“As borbulhas”


Algumas crianças da freguesia da Torre, após banhos no rio Homem, na praia fluvial, notaram o aparecimento de “borbulhas no corpo”. “É da porcaria da água…” afirma uma mãe, que não tinha conhecimento, da recomendação do Centro de Saúde de Vila Verde.

Tudo sob controlo

Sobre os receios e qualidade da água que é fornecida a Caldelas, o presidente da autarquia amarense, José Barbosa, garantiu-nos que “Caldelas está parcialmente desde o mês de Maio, a ser abastecida com a água do rio Cávado”, que “ passa pela Srª. da Paz sendo depois bombeada a partir da freguesia da Torre” e o “resto do abastecimento, é feito a partir de depósitos e nascentes próprias”.

Sossegou a população, garantindo que a água do Cávado“ é analisada semanalmente ou quinzenalmente na pior das hipóteses”. 

A “Cimeira do rio Homem”


O edil amarense, inquirido sobre o que pensa, que irá resolver a chamada cimeira do rio Homem disse que, “ se calhar não vai resolver nada, mas, pelo menos para já, vai fazer com que os três municípios (Amares, Vila Verde e Terras de Bouro) tenham uma atitude preventiva relativa ao rio Homem“.

Indagado sobre qual dos três municípios era o mais poluidor, foi peremptório em afirmar, “não é Amares que mais contribui para a poluição do Homem“. 

A ETAR

Disse ainda, que na ETAR de Caldelas “foi introduzido equipamento, que lhe permite trabalhar regularmente” e acrescenta, que os cheiros que se fazem sentir nas imediações, devem-se ao “lixo que é retirado dos tanques, e ali fica a aguardar transporte” o que “deveria ser diáriamente, mas não é”.

Refere ainda, que a autarquia deverá “adquirir um camião próprio para esse efeito” pois, “transportar lamas por estrada é complicado” concluiu.

Agosto 2003

Manuel Araújo
© fotos e texto





























sexta-feira, julho 04, 2003

Pseudo feudos e Talibãs

Pseudo feudos e Talibãs

Manuel Araújo - ano 2003

Como me considero ainda, um cidadão livre, de pensar e agir e de acordo com o que a Lei me faculta, decidi apoiar subscrever e comentar um abaixo-assinado surgido em Caldelas em que pediam às autoridades competentes, a devolução do único espaço que inicialmente estava destinado ao teatro, ao folclore, conferências, congressos, cinema, ensaios vários, etc, ou seja, um Auditório para fins culturais.

O referido espaço, propriedade da Junta de Freguesia, funciona, ilegalmente há mais de dois anos, isto é um facto, pois não possui qualquer espécie de licença, seja ela de regulamentação, abertura ou de comercialização de bebidas alcoólicas, entre elas o vinho de produtores privados, sem qualquer controle, nem tão-pouco licença das máquinas de jogos electrónicos.

Em declarações públicas, um membro da junta de freguesia afirmou que a exploração do local foi cedida ao Grupo Coral / Comissão de festas, mas por outro lado, fonte bem colocada do Grupo Coral, contesta e refuta a afirmação e assegura que “o Grupo Coral, não tem nada a ver com a tasca”.

Autoridades concelhias e distritais, são, desde há algum tempo, conhecedoras da situação, mas nada aconteceu até ao momento. Será que evocaram também a excepção à Lei, tal como fizeram em Barrancos com o toiros de morte?

Além das ilegalidades expostas, acresce ainda o facto, de o espaço não ter condições de segurança ou de higiene – segundo o parecer recente, dos técnicos da Câmara Municipal de Amares, que chegaram à conclusão de que — “o espaço é inapropriado para auditório ou para biblioteca”…

É estranho, pois, supostamente, foram os mesmos serviços, que deram o parecer favorável, aquando a sua construção para o fim de um Auditório .

Mas não serve para auditório ou biblioteca agora, dizem os técnicos. Mas servirá para serviço de tasca ?

À margem de todas as regras de bom relacionamento com os restantes condóminos, resolveram, sem dar satisfação a ninguém, abrir enormes orifícios na parede do imóvel, para o exterior, para assim expelir os fumos.

Perante a minha tomada de posição, sobre a situação, tudo na minha vida se complicou. Senão vejamos;

Presumo que seja apenas “coincidência”, mas…

• pneus cortados,
• inscrições murais de teor intimidatório,
• envenenamento dos cães dentro do meu próprio quintal,
• o pão da manhã espalhado, pelo chão

• rodas desapertadas
• e a recentemente e repetida vandalização por lacragem, do canhão da fechadura da porta do meu escritório, impedindo-me de entrar,

Isto já dá que pensar, por isso, apresentei queixa na GNR, contra “desconhecidos”.

Recordo, uma confidência de um amigo, que me avisou quando comecei a denunciar estes casos, que os “Talibãs” iriam atacar-me… e que eram “talibãs” pseudo feudais, homens ressabiados, habituados a serem servidos e adorados, que detestavam quem lhes fizesse sombra, ou lhes falasse alto e que não gostavam também, que ninguém se lhes metesse pelo caminho, ou lhe ocupassem as clareiras.

Ah… disse-me também esse meu amigo, que as mulheres deles, nem sempre usavam “burkas”. Essa afirmação, eu não a entendi… Não a entendi…. e fiquei admirado, porque as tribos verdadeiramente talibãs, são de outras paragens, o que ainda existe aqui, são alguns caciques que pensei estarem já definitivamente acantonados, extintos ou em hibernação.

Sabe-se, que alguns desses talibãs/caciques mais jovens, conseguiram escapar e tinham-se  integrado plenamente e posto de lado o fundamentalismo, que, durante décadas os orientou. Acho que alguns deles evoluíram e aprenderam a respeitar e a viver em sociedade e em paz…

Tenho pensado, no alerta desse meu amigo e agradeço-lhe ter-me avisado, mas não tenho receio, porque os “talibãs” verdadeiros não existem em Caldelas, existe apenas alguns caciques cobardolas, que lançam a pedra (ou mandam lançar) e escondem a mão. Ou melhor, ordenam aos pobres “jaquinzinhos” que o façam.

Os verdadeiros talibãs, os quais também nada aprecio, esses sim, são corajosos e dão a cara, recorde-se, que mesmo contra a vontade de todo o Mundo, eles dinamitaram e destruíram as estátuas dos Budas Gigantes no Afeganistão. Estes de Caldelas são diferentes, são falsos e actuam cobardemente na calada da noite.

A propósito: alguém sabe, o que fizeram eles, com os camiões de pedra, gravilha e cascalho “desaparecidos”?

Eu sei… e muita gente de Caldelas também sabe, mas com medo nada diz…



quinta-feira, julho 03, 2003

ANTÓNIO VARIAÇÕES 19 anos depois da sua morte…

Manuel Araújo (*)


António Joaquim Rodrigues Ribeiro, nasceu no Minho, Fiscal, uma pequena, verde e pacata freguesia de gente afável, muito perto da estância termal de Caldelas no Concelho de Amares, no dia 3 de Dezembro de 1944. Era filho de Deolinda de Jesus, falecida há dias e de Jaime Ribeiro, também falecido.


O começo

Contou-nos a mãe, Deolinda de Jesus, recentemente falecida, que durante os estudos primários, concluídos na escola local, ajudava nos trabalhos da terra, mas sempre que podia “escapulia-se” para todo o sítio onde houvesse uma feira, romaria ou festa. O “bichinho” da música herdara-o de seu pai que também tocou acordeão e cavaquinho.

O “Tonito” – era assim que lhe chamava a mãe– depois de terminar a escola primária, experimentou ainda um emprego na oficina de quinquilharias do "Caco" em Caldelas, desistindo pouco tempo depois. Sonhava com outros horizontes, assim, e apenas com 12 anos, rumou em direcção a Lisboa para casa de uns primos, terra de sonhos e das oportunidades. Começou como marçano, que não era o que desejava, para alguns meses mais tarde conseguir um trabalho num escritório. Esteve na capital até á idade da tropa para ser destacado para Angola. Cumprido o serviço militar, regressou para pouco tempo depois partir para Londres, onde tinha um irmão, o José, e onde começou a trabalhar como empregado de mesa.

© DR
Nasce o António Variações

Em 1976, ano do falecimento de seu pai, regressou a Portugal para partir de novo, mas desta vez o destino levou-o até Amsterdão, Holanda, onde frequentou durante um ano um curso de cabeleireiro. Voltou a Lisboa para começar a exercer a sua nova profissão. Durante o dia trabalhava num salão de cabeleireiro e á noite, juntamente com o grupo musical “Variações”, dedicava-se à sua paixão de sempre , a música. O nome “António Variações”, provém do grupo com quem começou a cantar.
A sua primeira aparição em público, foi na feira popular de Lisboa, num programa da Rádio Renascença, com os UHF de Manuel António Ribeiro.

A Moda

O António era diferente, não ligava à moda, — a moda torna as pessoas todas iguais — dizia ele. Tinha um gosto muito peculiar de se vestir, que alguns classificaram de sofisticado, excêntrico, extravagante e ridículo, mas o António foi persistente, seguiu o seu próprio caminho e venceu, até que começou a ser imitado, hoje, qualquer um usa brincos...


O estrelato

Em 1978 assinou um contrato com a editora Valentim de Carvalho, mas só quatro anos mais tarde é que gravou o seu primeiro trabalho, “Povo que lavas no rio”, um tema bem conhecido de Pedro Homem de Melo e imortalizado pela saudosa Amália . “Estou Além”, é um outro tema da sua autoria. No ano seguinte, editou “Anjo da Guarda”, que o catapultou definitivamente para o estrelato nacional.
Foi entregue á família, a título póstumo, um "disco de platina" referente ao trabalho " O melhor de António Variações", resultado da venda de mais de 40 mil exemplares, o qual nos foi orgulhosamente exibido pelo irmão Carolino.
No final de 2000, foi reeditado um novo CD, "Dar & Receber" com um tema inédito do António Variações, esgotando-se assim o seu legado vocal.

A família e os amigos

O António sempre visitou regularmente a mãe e os amigos em Fiscal, a família era para ele tudo. Não havia entrevista alguma que ele não falasse da mãe, dos irmãos e das irmãs. O António era o 5º filho, dos dez que a Deolinda de Jesus teve.
Na sua terra natal, era sem vaidade nem vedetismo que se misturava com os amigos e conhecidos, que o recordam com imenso orgulho e saudade.

O trabalho, a doença e o fim

Apareceu em inúmeros programas de Televisão e da Rádio, mas foi no programa “ A festa continua “ do Júlio Isidro - do qual era também amigo e cliente da barbearia - que apareceu na TV pela última vez. Semanas mais tarde, o António foi internado no hospital Curry Cabral, com complicações que se agravaram vertiginosamente. Broncopneumonia Bilateral Extensa, foi a doença que lhe foi diagnosticada, perdendo em poucos dias 20 quilos. O António, viria a falecer na madrugada do dia de Santo António, 13 de Junho de 1984. Tinha 39 anos e foi a primeira personalidade pública que se suspeita ter morrido de sida em Portugal.
No velório, na Basílica da Estrela em Lisboa, foram muitos que lhe quiseram prestar a última homenagem e o último adeus ao seu ídolo. Estiveram também presentes, além de outros, os “Heróis do Mar”, a Lena d´Água, a Maria da Fé e a sua grande amiga Amália Rodrigues, com ele chegou a actuar em 1983 na Aula Magna da Universidade de Lisboa e tinha pelo António um carinho muito especial.
O corpo do António, foi transladado para Fiscal, Amares, sua terra natal, onde está sepultado e ainda nos dias de hoje continua a ser visitado por gente anónima oriunda um pouco de todo o país.

O reconhecimento

Em Amares, existe já uma rua com o seu nome, mas, a Assembleia Municipal em deliberação camarária, de Junho de 2002, por proposta da deputada Raquel Mendes e por unanimidade, deliberou homenagear o António Variações, no próximo ano de 2004, em data ainda incerta.

Para organizar a homenagem, foi criada uma comissão, composta por várias individualidades do Concelho. Dessa comissão, faz parte o presidente da Junta de Freguesia de Fiscal, Sr. Bernardino, com quem falamos e se mostrou “ bastante preocupado”, porque “falta menos de um ano e ainda está quase tudo por fazer”, disse-nos, apreensivo.

Segundo nos afirmou, “a Câmara, não tem possibilidades financeiras para suportar os custos da homenagem, existem outras prioridades”, por esse motivo, “apelo à união de todos, Câmara, membros da Comissão, Empresas, Comunicação Social e todos os particulares, para que comecemos a trabalhar juntos e possamos fazer a homenagem em meu entender, tardia, mas merecida, ao homem, que viveu no tempo errado. Se fosse hoje, seria certamente melhor compreendido”, conclui.

Entre outras iniciativas, que pensam levar a efeito, consta uma homenagem nos Paços do Concelho, concertos e exposições.
Também, na freguesia de Fiscal, num largo que irá ter o nome do artista, será erigido um busto.
Igualmente e um pouco pelo país, estão previstas outras iniciativas.

(*) in Terras do Homem/Praça Local - 2003

ACTUALIZAÇÃO



Busto erigido em Fiscal - Amares

© Manuel Araújo

domingo, junho 08, 2003

Santa Maria da Torre - Amares

Já tem Símbolos Heráldicos

Manuel Araújo

No dia 22 de Junho de 2003 teve lugar a apresentação pública do Brasão Heráldico da Junta de Freguesia de Santa Maria da Torre.

Por deliberação da Assembleia de Freguesia de Santa Maria da Torre, de Junho de 2000, nos termos da Lei nº 53/91, de 17 de Agosto, foi estabelecido, sob proposta autárquica, a constituição dos símbolos heráldicos da mesma, que, de harmonia com o parecer da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, emitido em 12 de Julho de 2002, determinou que o símbolo seria constituído da seguinte forma:
Brasão Escudo — azul, torre de prata aberta e iluminada de vermelho, com sino de ouro, entre duas rodas de azenha ouro, com suas pás de prata. Coroa mural de prata, de três torres, Listel branco com legenda a negro: TORRE – AMARES.
Bandeira – amarela, cordão de ouro e azul. Haste e lança de ouro.
Selo – nos termos da Lei, com a legenda “Junta de Freguesia TORRE – AMARES”

Apresentação publica dos símbolos heráldicos

A Junta de Freguesia de Santa Maria da Torre tem sede no bairro de Sta. Maria, num edifício moderno, construido de raiz e inaugurado em 2001, custou 35 mil contos.
Neste edifício, além das funções administrativas inerentes ao funcionamento da autarquia, são ainda ministrados vários cursos, nomeadamente, bordados e costura.
Existe ainda, um jardim infantil e um auditório, que é utilizado frequentemente em manifestações culturais.

A Junta de Freguesia Sta. Maria da Torre tem actividades diversas, dando apoio à população, social, cultural e desportivo.

A Freguesia tem uma área que ronda os dois Km2 e tem 530 habitantes dos quais 410 são eleitores com direito a voto.

A principal actividade da Freguesia é a agricultura, algum comércio e também pequenas indústrias.

A Junta de Freguesia de Santa Maria da Torre tem actualmente um executivo, que é composto por 3 eleitos pelo PSD, liderados po José Gama. A Assembleia de Freguesia tem 5 eleitos também PSD. O PS é representado por 2 elementos.

Assim, na tarde de ontem, 22 de Junho, surgiu no Largo da Junta, pela primeira vez ao público, a bandeira e o brasão da Junta de Freguesia de Santa Maria da Torre. A bandeira foi hasteada pelo Dr. Francisco Morais, perante uma larga multidão, assim como várias individualidades, entre elas, o Presidente da Câmara de Amares sr. José Barbosa.

Foram vários os discursos, que a multidão atenta, ali testemunhou, mesmo debaixo de um calor sofocante, o hastear da bandeira com o símbolo heráldico daquela Junta.

Nem mesmo o calor impediu que a banda de música de Sta. Maria de Bouro, a Fanfarra da Cruz Vermelha de Amares e o rancho folclórico de Sta. Maria da Torre, actuassem perante a multidão que participou activamente na festa. Uma nota para o facto, de o Rancho Folclórico de Sta. Maria da Torre, após muitos anos de inactividade, regressar agora rejuvenescido e com novos elementos.

Foi ponto de honra da Junta, que o dia não terminasse sem mais nem menos, foram vários os petiscos que estiveram à disposição de todos aqueles que se juntaram e testemunharam a apresentação pública do símbolo heráldico da Junta de Freguesia de Santa Maria da Torre.

sexta-feira, novembro 22, 2002

Amigos



Lausanne - Suíça

terça-feira, novembro 19, 2002

"Caldelas está parada, precisa de crescer e de se modernizar"

Quase dois anos após o início de de um projecto, surge agora o Churrasqueira de Caldelas, que se apresenta totalmente remodelado e com modernos equipamentos e instalações. O Restaurante Churrasqueira de Caldelas, cuja inauguração foi objecto de uma simples cerimónia, onde não faltaram, o presidente da Câmara Municipal de Amares, membros da autarquia, os autores do projecto, os proprietários e muitos amigos e figuras da vida social das Termas de Caldels

A reabertura do Restaurante Churrasqueira de Caldelas, poderá ser o início do virar da página , para um processo de revitalização de uma das mais belas termas portuguesas, que teimam em não acompanhar o progresso.

José Antunes, o proprietário, mostra-se optimista, acredita no futuro e pensa que outros hoteleiros lhe poderão seguir as pegadas. “Temos de ser nós a dar o pontapé de saída … Caldelas está parada, precisa de crescer e de se modernizar…” asseverou em tom provocatório.

José Antunes - Estabelecimentos Hoteleiros Lda, integra ainda a remodelação da Pensão Universal, e a construção do Hotel do Eirado.

Esta iniciativa vem reforçar o papel que esta empresa tem tido na preservação e promoção da gastronomia da região.


Manuel Araújo

terça-feira, outubro 22, 2002

Amigos


Fernando Pessa

Luís Esteves

Pedro Barroso

Consul de Zurique Dra. Marchueta

Zé Zé Miranda e Carlos Ribeiro

Patrícia Portugal

terça-feira, outubro 01, 2002

Suíça - Lausanne


Políticos e banqueiros da Suíça - Ano 2002

Suíça - Lausanne



Eu sou o da direita... ;-)

Suíça - Lausanne


A Inês, chefe Silva e José Cid - Ano 2002

terça-feira, setembro 24, 2002

Lausanne

tania_araujo_lausanne_m.jpg

Tãnia Lobo - RTPi- ano 2002

domingo, agosto 18, 2002

Caldelas - Abaixo-assinado a favor do auditório

Pelas Termas de Caldelas

Esta iniciativa não tem a intenção de constatar de um modo pernicioso, nem tão pouco de entrar em colisão com ninguém. Existe um espaço, o Auditório, que deve ter outra finalidade do que aquela que lhe dão neste momento.


Sabemos que o Grupo Desportivo tem uma função muito interessante e importante para a juventude da nossa terra. Mas, mesmo assim, a componente cultural está subaproveitada e é pena que assim seja. O Auditório pode e deve ter outras funções para que o bom nome, como a afirmação da nossa terra, possa ser uma realidade dentro de pouco tempo.


Há muito, que individualidades do Concelho, alegam poder trazer para as Termas de Caldelas um congresso mensal, ou até outro tipo de reuniões. Existem infra-estruturas hoteleiras capazes de darem uma resposta eficaz a esta possível eventualidade. Não só daria a possibilidade de dar a conhecer as nossas potencialidades turísticas, como de suscitar um interesse sócio económico a todos os agentes que nas Termas de Caldelas vivem.


Recordamos, que na nossa infância, nesta nossa terra, de quando existia um grupo Folclórico, cinema ao ar livre, Circo e até Teatro. É pena que as actividades culturais estejam tão por baixo, como podemos infelizmente averiguar neste momento. Caldelas só tenta receber e não dá nada em troca...


Auditório/anfiteatro


Abaixo-assinado de iniciativa popular em defesa do Auditório e da A.C.D.R. das Termas de Caldelas.


Os cidadãos abaixo assinados, manifestam às autoridades competentes, o seu interesse e desejo que o Auditório, situado no Centro Comercial, tenha a função que lhe foi destinado inicialmente, e que o mesmo significa que seja utilizado para fins culturais, como; realização de Congressos, incentivar o Teatro amador, O Folclore, Cinema e outros... O Grupo Desportivo, utiliza desde há 2 anos o espaço do Auditório, para exploração de um Bar, que deveria ser a título provisório.


Defendemos:


• Que as autoridades competentes, procurem solucionar o problema, facilitando a construção ou aquisição de um outro local próprio, para a A.C.D.R. e com as condições minimamente aceitáveis para o seu normal funcionamento.


• Conclusão das obras do Auditório. Que em colaboração com os agentes culturais do Concelho, se dê início à utilização adequada do espaço, pois são evidentes as vantagens e utilidade para as Termas de Caldelas.


Os signatários deste abaixo-assinado, esperam contribuir de forma decisiva para a resolução deste problema, que já se arrasta há anos e que leve a uma efectiva alteração do local de convívio do A.C.D.R.

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Nota:
Quase três anos após esta iniciativa popular e depois de acesas discussões, o bom senso acabou por vir ao de cima e o interesse geral acabou por se sobrepor ao particular.

Acabou a tasca, nasceu o Auditório.

Caldelas ficou a ganhar, já não era sem tempo !

Manuel Araújo

Novembro de 2005

sexta-feira, maio 03, 2002

Chefe Silva - Entrevista

Encontramos o Chefe Silva à sombra das frondosas tílias, na pacatez da sua terra natal, as Termas de Caldelas, onde vai amiúde “carregar baterias” e acedeu falar connosco.



Manuel Araújo


1. Quer-nos falar sua da família e o primeiro emprego, recorda-se ainda do primeiro ordenado?

A minha família materna, era proveniente de uns caseiros que passaram aqui por Caldelas e a do meu pai, é da família do Vinhas, família conceituada aqui da terra, era uma família de trabalho onde vivi. Depois de a minha mãe ficar viúva e como na escola me consideravam inteligente, puseram-me a estudar para padre, mas eu não nasci para aquilo e vim embora, fugi, vim para Caldelas e comecei a trabalhar ... Trabalhei nas obras e também como ferreiro, com o Félix na casa do Araújo.
Recordo, o meu primeiro ordenado nas obras, foi de oito escudos por dia, e como ferreiro, dois escudos...

2. Quais as qualidades imprescindíveis para ser um bom profissional ? A formação basta ?

A formação é importante.
Mas não basta, é preciso ter força de vontade e interesse pela profissão. Quem cair nela, deve dar o melhor de si, ser bom colega e ter bons amigos para poder aprender, porque ninguém pode ensinar, sem aprender primeiro.

3. Depois de todos estes anos, o cozinhar ainda é um prazer?

Cozinhar será um prazer toda a vida. Começou por ser ao cozinhar para os meus filhos, no trabalho que executava nos hotéis e restaurantes e continua sê-lo, seja perante as câmaras de televisão, ou sozinho em casa, mas aí, a minha mulher corre comigo (risos).

4. A tradição e as influências culinárias, ainda se mantém ?

A tradição culinária mantém-se e está até mais viva. As pessoas chegaram à conclusão de que vale a pena apostar na cozinha portuguesa. Aqui em Caldelas, devido ao termalismo e ao regime alimentar especial, come-se por exemplo uma vitela assada, que já não é igual à de Paranhos. Antigamente era assada no forno de cozer o pão, hoje, já é no fogão de lenha.
Aproveito para dizer, que devido à variedade culinária de Caldelas, tenciono editar um livro da localidade que é a minha terra, pois, temos aqui a cozinha senhorial, a termal e a dos campos…

Na última década, Portugal acolheu muitos galegos que tiveram uma influência positiva na cozinha lisboeta, mas muito negativa, na cozinha portuguesa. Quem positivamente influenciou a cozinha portuguesa, foram os cozinheiros do Alentejo, da Beira Alta, de Trás-os-Montes, aqui do Minho foram inúmeros os que se deslocaram para Lisboa. Terras de Bouro, deve ter dado centenas de profissionais, até o presidente da Câmara chegou a dizer, que iria erigir um monumento ao cozinheiro, mas não o fez, talvez por ser muito caro, mas um dia, alguém o fará…

5. A ciência da cozinha é uma fonte inesgotável ?

É uma fonte inesgotável, estão sempre a aparecer novos ingredientes e novas combinações.


6. Quais as fontes de inspiração para novas receitas?

São os conselhos que as pessoas me dão e as visitas que faço a restaurantes e particulares. Quando falam de cozinha, os meus ouvidos ficam logo atentos… procuro aprender e ensinam-me de boa vontade, quero aprender cada vez mais e evoluir até ao fim.

7. Que gosta mais de cozinhar, entradas ou sobremesas ?

Sou cozinheiro e pasteleiro, gosto de fazer as duas coisas. É sabido, que antes de uma sobremesa, tem que haver uma boa entrada e para acabar uma refeição em beleza tem que haver uma sobremesa. Tenho-me preocupado sempre com as sobremesas, porque a sobremesa antecede o pagamento da conta…(risos).
Temos que mandar o cliente satisfeito. Quem vai a um restaurante, é como quem vai a uma repartição de finanças; se é bem recebido, fica com vontade de pagar os impostos ao Estado. Quem vai a um restaurante e é mal recebido, fica com vontade de não pôr lá mais os pés…

8. Livros e revistas, quantos já editou ?

Livros, ainda só editei um de doçaria tradicional, mas vai brevemente sair outro que está a ser revisto. A revista, é a Teleculinária e já vai nos cinquenta volumes.

9. Durante vários anos, tem tido um programa de Culinária, na Praça da Alegria (RTP), com o Manuel Luís Goucha. Nesse programa, quem coordena as suas receitas?

Estou com Manuel Luís Goucha à cerca de seis anos. Antes do Goucha ia à TV esporadicamente a convite do amigo Júlio Isídro e outros. Mas eu em 1975 tive um programa na RTP, que o sucesso era tal, que ia uma carrinha levar-me o correio. Era pedido para que as pessoas não escrevessem mais, pois não haviam meios técnicos nem humanos para receber toda a correspondência, era às carradas…
Nos meus programas, sou eu que coordeno as minhas receitas.



10. Existe competitividade entre os profissionais do sector ?

Competitividade tem que haver, pois caso contrário, não existiria evolução, nem melhoria de qualidade.

11. Que relação mantém com outros companheiros da sua profissão?

Uma relação boa, amistosa.

12. Qual a sua bebida preferida ?

A minha bebida preferida, continua a ser o vinho verde, mas com moderação. Gosto também muito de água, o meu carro anda só a água… (risos)

13. Como é o seu dia a dia ?

Levanto-me cedo, de manhã é que estou inspirado, tenho a cabeça fresca para fazer receitas e visito os restaurantes; durante a tarde, procuro ficar com a família em casa, se me deixarem…

14. Já visitou as nossas comunidades no estrangeiro?

Sim, já várias vezes. Na Suíça fiz parte de um júri de um concurso de caldeiradas em Geneve. A organização teve azar, tinham 500 inscritos e apareceram mais de 800… Um abraço para eles e para todos os sportinguistas, benfiquistas e todas as outras colectividades de Geneve.
Visitei também Macau, Hong Kong, Paris, Bruxelas, Madrid etc.

15. Se fosse convidado, estaria na disposição de participar em algum evento culinário que eventualmente se realizasse no estrangeiro?

Claro que sim, podem contar comigo, mas é bom avisarem-me com antecedência, pois existem muitos compromissos…

16. Quer dirigir uma palavra aos nossos emigrantes?

Também já fui emigrante em Moçambique, numa altura, em que diziam que aquilo ara nosso, mas eu nunca acreditei… ao fim de quase sete anos regressei.
Sei o que é ser emigrante, por isso, faço votos para que se cumpram todos os vossos objectivos, que consigam regressar, aqueles que o desejarem e os que não quiserem, que aprendam a língua e se integrem nas sociedades que escolheram para trabalhar, que sejam felizes, desejo-lhes o melhor do melhor…

17. Como não residente no concelho de Amares, como vê, em relação ao país, o desenvolvimento da região e em especial as Termas de Caldelas ?

Amares é um Concelho interior, essencialmente rural e de serviços. Talvez no futuro venha a melhorar. Não é daqueles concelhos, onde pode haver um boom económico espontâneo e repentino, vai devagarinho… acho que já foi feito bastante.
Caldelas tem evoluído muito pela iniciativa privada, em casas e casas de hospedes. Mas, nos hotéis tem retrocedido. Antes, haviam aqui três e todos sabiam receber muito bem. Hoje há só um, que é o que está ligado com a empresa das águas e continua a saber receber, tenho por ele o máximo de respeito e estima.
Caldelas, tem que arranjar meios de lazer para estes clientes que nos visitam.
Os aquistas passam o dia dentro de casa, a ver televisão e a falarem uns com os outros e não conhecem Caldelas.
Caldelas não é só a Avenida Afonso Manuel, a verdadeira Caldelas, é aquela que se estende até Cernadela, Lombada, pelas Caldas, até Paranhos e Sequeiros é como se fossem Caldelas…
Temos o rio Homem, quase sem poluição, que merecia tanto que se criassem condições, para que os aquistas andassem por lá… mas, tem que ser levados.
Eu, se for a qualquer sítio, mesmo que não conheça nada, sou como o furão vou furando por todo o lado. Mas eles coitados, vem para cá tratar-se, já lhes basta aturar uma doença que é chata e ainda tem que estar presos, pregados ao mesmo local.
A Caldelas, faz falta também, o turismo rural, que já está a nascer e oxalá tenha continuidade.


18 - Quando é que descobriu que a sua vida iria ser relacionada com as actividades culinárias?

Eu queria ser empregado de mesa, para andar de lacinho, limpinho e de unhas bem tratadas, mas não tive a sorte de ir para empregado de mesa, mas tive a sorte de no futuro vir a ser cozinheiro. Os cozinheiros eram apelidados de “queima cebolas” e os empregados de mesa eram os “gamelas” ainda hoje nos tratam assim. No fim do trabalho saíamos e jogávamos às cartas, ao dominó etc.



19 – Desde essa altura como tem sido o seu percurso como cozinheiro?

O meu percurso, tem sido largo. Trabalhar 30 anos na mesma casa é muito bonito. Mas, nós temos que correr casas, sensibilidades e mentalidades diferentes para evoluirmos. O máximo foram 12 anos que estive numa multinacional, o resto, foram 2 a 3 anos em cada casa.

20 – Sei que tem um restaurante em Lisboa. Nesse estabelecimento é possível saborear os “cozinhados” do chefe Silva?

Poucos ou quase nenhuns. Evidentemente que a orientação é minha, mas o restaurante é do meu filho mais velho, o Domingos. É um restaurante frequentado essencialmente por gente jovem, 90% são jovens.

21 – Como justifica que os melhores cozinheiros do mundo sejam considerados homens, tendo em conta, que no dia a dia rotineiro dos nossos lares, a cozinha é o lugar predilecto das mulheres e não dos homens?

Sim, é verdade. No mundo, a maioria dos chefes são homens pois são eles que dirigem as cozinhas, têm mais autoridade e ainda conseguem exercer aquele poder másculo... Mas, na nossa terra, os melhores cozinheiros são mulheres, são elas que tem aquele cuidado, aquele carinho de fazer o arroz bem feito, a carninha assada bem feita. Sim, são senhoras que pouco a pouco vão conquistando e ocupando posições de relevo, lugares que merecem...

22 – Acha que a nível de ensino já existem cursos suficientes e com a devida qualidade sobre a hotelaria e a arte de se ser um bom cozinheiro(a)?

Cursos suficientes já há bastantes, pode ainda haver mais, pois não fazem mal nenhum. Agora com qualidade é que tenho dúvidas, há uns quantos que tem qualidade e há outros assim assim. Mas, todos eles podem contar comigo para uma eventual orientação. Todos os profissionais, desde aprendam uma profissão, devem pensar no futuro e na evolução, pois, o pior que pode acontecer é tornar-se empresários. A trabalhar para os outros ninguém fica rico... (risos)


23 – Acha que em Portugal se come bem?

Sim, em Portugal come-se muito bem, mas por vezes enfiam-nos alguns barretes.


24 – Os portugueses, por vezes, não abusam e esquecem a correcta alimentação?

Sim ás vezes, mas ela é tão boa... até eu abuso, mas não muito.


25 - Qual é o verdadeiro prato típico de Portugal?

O prato típico de Portugal, é o cozido à portuguesa. Tenho catalogadas 32 vertentes do cozido à portuguesa. Os pratos típicos de Portugal por excelência são, primeiro o Cozido à portuguesa e, ao lado, o bacalhau em qualquer uma das suas formas.


26 – Que género de comidas os portugueses mais gostam?

Os portugueses de um modo geral gostam de tudo, desde que seja bem feito. Tanto gostam de sardinhas como de bacalhau, cozido, um bom bife, um bom frango, mesmo que seja grelhado ali na feira da Malveira ou aqui na Loureia onde estavam a grelhar junto à estrada.


27 – E no seu restaurante? Que género de pratos são solicitados pelos seus clientes?

Tem o prato do dia para os clássicos e para os jovens tem os hamburgers, as pizas, os crepes. Uma cozinha moderna mais acessível, porque, normalmente os jovens infelizmente, têm pouco dinheiro para gastar...

sábado, fevereiro 02, 2002

Caldelas: canil promete acabar com reinado dos cães vadios

O perigo provocado pelo elevado número de cães vadios na vila de Caldelas está á beira de uma resolução.


Ovelha morta por cães vadios


A construção de um canil poderá ser uma realidade a breve prazo. A estrutura será gerida pela Junta de Freguesia, contando com o apoio da Câmara Municipal.

A Câmara Municipal de Amares e a Junta de Freguesia de Caldelas estão a estudar a hipótese da construção de um canil na freguesia, para albergar a enorme quantidade de cães vadios que põem em causa a saúde publica e a integridade física de animais e transeuntes da vila termal. Coelhos, galinhas e até ovelhas tem sido alvo do 'apetite' dos canídeos, que vagueiam livremente pelas ruas e actuam em autenticas matilhas, beneficiando ainda de 'alojamento' no 'Grande Hotel de Caldelas', actualmente em ruínas. As unidades hoteleiras da vila, são também grandes fornecedoras de alimentação.

A quantidade de cães vadios na freguesia de Caldelas tem crescido de forma significativa, tendo provocado a revolta da população local, que alerta para o facto de, além do perigo para a integridade física dos cidadãos locais e visitantes da vila, a situação não constitui propriamente um bom cartão de visita para uma localidade que vive essencialmente do turismo.

A situação agudiza a decadência económica e turística da vila termal, mas a maior pressão para se acabar com o problema - que reside sobretudo no centro de Caldelas - tem sido feita em maior escala pelos agricultores locais, que se queixam dos prejuízos nas suas culturas e nos animais domésticos.

A construção de um canil municipal é apontada pela população como uma necessidade cuja execução deve avançar urgentemente, até porque o problema é velho e "já foi longe demais". "O importante é que se resolvam as coisas antes que aconteçam desgraças", defende um comerciante local, alertando ainda para os perigos " resultantes do contacto das crianças com os animais, normalmente portadores de doenças e infestados de parasitas.

A invasão dos cães em Caldelas verifica-se por vários factores. Há quem se queixe de que os turistas da época termal deixam abandonados os animais que lhes fizeram companhia nas férias, mas o maior problema parece residir na abundância de restos de comida existentes nas imediações de hotéis e pensões locais.

O saneamento e tratamento de esgotos e igualmente uma velha questão em Caldelas, de onde surgem também denuncias quanto à poluição do ribeiro da vila que desagua no rio Homem, contribuindo de forma determinante para o agravamento da deterioração da qualidade de água, conforme testemunharam recentemente agrupamentos de escuteiros que visitaram aquela zona fluvial. No ribeiro, além de restos de comida - como arroz, espinhas e ossos -, eram igualmente visíveis resíduos de papel, plásticos e até fezes, denunciando o despejo directo de esgotos.

Além disso, o abandono a que se encontram as ruínas do antigo 'Grande Hotel de Caldelas' - sem qualquer intervenção depois do incêndio que há já longos anos consumiu por completo aquela estrutura - constitui um verdadeiro ninho para albergue e procriação dos animais.

O futuro canil assume-se, por isso, como uma estrutura de reacção e minoração do problema de Caldelas, onde será ainda necessário acabar com situações de proliferação de verdadeiros 'cancros' ambientais e paisagísticos.





2002/02/14 in TERRAS DO HOMEM

segunda-feira, outubro 22, 2001

Amigos



Casal da Raposa

Amigos



Luzern - Suíça

Alice Vieira



Genebra - 2001

domingo, setembro 30, 2001