domingo, dezembro 10, 2006

Entrevista ao grande "Embaixador" da Língua e da Cultura portuguesa no Canadá

EUCLIDES CAVACO
“Embaixador” da Língua e da Cultura portuguesa no Canadá
Euclides Cavaco, nasceu no concelho de Mira, distrito de Coimbra onde concluiu a instrução primária, ainda muito jovem decidiu ir para Lisboa a fim de arranjar um emprego e poder simultaneamente conciliar o seu grande sonho de estudar, anseio que consumou tendo assim concluído em Lisboa o curso geral dos liceus e frequentado posteriormente os estudos superiores. Euclides Cavaco começou a escrever poesia nos seus anos académicos e dela tem feito uma constante da vida. Incondicionalmente apaixonado pelo FADO, escreve-o para fadistas , declama-o com grande estro poético e essencialmente dá-o a conhecer ao mundo. Na década de 60 parte para Angola, onde fez o seu estágio para locutor da Rádio. Em 1970 radica-se no Canadá, onde continua a residir. Aí concluiu o curso em Gestão Administrativa e alcançou o estatuto de empresário. Em 1974 com um grupo de amigos funda o programa de televisão Saudades de Portugal, de cujo foi apresentador. Em 1976 é nomeado Comissário Público pelo Governo do Ontário. Em 1980 criou a RÁDIO VOZ DA AMIZADE, da qual é director e locutor há mais de 25 anos, procurando glorificar sempre o nome de Portugal e DESTE POVO QUE NÓS SOMOS. 

 Carmindo de Carvalho com Manuel Araújo

 — Para uma apresentação prévia, pode dizer-nos quem é Euclides Cavaco? 
Euclides Cavaco — É assaz difícil podermos retratar-nos a nós próprios, porém posso afirmar que sou um homem extremamente simples oriundo duma família humilde que lutou energicamente na vida para realizar o seu sonho. Altruísta, defensor da paz , fomentador da amizade, amante do fado e português genuíno de corpo e alma , proliferador da poesia , língua e cultura portuguesas no mundo através da rádio e de outros órgãos da comunicação onde divulga os seus trabalhos e persevera glorificando o nome de Portugal. 

— Quando ocorreu a descoberta pela Literatura? 
EC — Ainda muito jovem durante os meus anos académicos.  

— O que é a poesia para si ? 
EC - Poesia na sua essência mais transcendente, é a Voz da Alma expressa pelo cantar dos poetas. 

— Fale-nos da sua obra literária. Que trabalhos publicou? 
EC — Para além das diversas antologias poéticas em que participei já editei 8 trabalhos só meus, podendo alguns ser observados na minha página da internet www.euclidescavaco.com. Contudo tenho ainda muitos mais em execução para serem publicados oportunamente.  

— Como elemento preponderante da divulgação da nossa Cultura no Canadá, ao longo dos últimos 25 anos foram inúmeros os galardões recebidos, prémios, comendas e homenagens. De todas elas qual, a mais importante? 
EC — Em realidade não são só 25 mas sim 36 anos dedicados à divulgação da língua e cultura Portuguesa no Canadá. Antes da rádio estive também ligado a um programa de televisão na década de 70. São efectivamente muitas as distinções honoríficas que ocupam grande parte do espaço físico dos meus aposentos. Todavia para mim a mais importante e terna de todas as homenagens é manifestamente o carinho, o acolhimento e as mensagens dos meus leitores espalhados pelo mundo , cujo troféu não se pode expôr porque reside no espaço intimo do meu ser mas que é indubitavelmente a mais importante e mais grata recompensa humana de apreço pelo meu trabalho. 

— Você mantém um site com algumas obras literárias. A seu ver, de que forma a Internet tem contribuído para a difusão da leitura e para o hábito de ler? 
EC — A internet como veículo de informação é provavelmente o mais acessível de todos nos nossos dias. Acredito por isso que ela seja também um incentivo ao hábito de ler. Constato este facto pelo número de pessoas que gostam de ler poesia e que visitam a minha página que já totalizou mais de 130.000 visitas mas duma forma muito peculiar pelas mensagens deixadas no meu Livro de Visitas que testemunham este predicado da internet.  

— Como coabita o “poeta” com o homem da rádio? 
EC — Dão-se perfeitamente bem, na mais exemplar harmonia. O poeta escreve e dá vida à poesia e o homem da rádio empresta-lhe a voz.  

— Quais são os livros e autores preferidos? Se possível com um pequeno comentário. 
EC — É muito difícil singularizar autores e livros entre os que consideramos bons. Para não ferir susceptibilidades nem a memória dos grandes autores do passado prefiro afirmar sem comentários especiais que gosto de todos os bons autores.  

— Que poetas você mais lê hoje? 
EC — Os nossos poetas da actualidade porque em verdade são eles que nos falam do HOJE e das conjecturas dos nossos dias. 

— Que projectos tem em mente? 
EC — Continuar a escrever e a publicar poesia oferecendo-a ao mundo lusófono através da minha página na internet, da rádio e jornais, bem como de novos livros e CDs de poesia declamada. 

— Em Portugal já sabemos como é, e aí no CANADÁ existe apoio à edição? EC — O Canadá como país de acolhimento apoia muitos programas e iniciativas nas Comunidades Portuguesas aqui residentes, mas não necessariamente a literária . Entenda-se que seria até provavelmente um absurdo subsidiar a promoção duma língua que não é a canadiana. Acho que esta responsabilidade competiria à Secretaria de Estado das Comunidades ou até mesmo ao Ministério da Cultura Portuguesa , mas disse e muito bem, já sabemos como é.  

— Gosta mais da POESIA lida ou OUVIDA? 
EC — Indiscutivelmente da poesia dita ou recitada.  

— A POESIA, surge-lhe mais de dia, ou à noite? 
EC — Penso que a tranquilidade da noite, convida a uma introspecção mais íntima e mais propícia à assimilação de ideias. Diz a filosofia popular que às escuras as ideias são claras, por isso escrevi estas duas quadras que se integram neste contexto: Às vezes fico intrigado Sem saber porque razão Na minha cama deitado Sinto mais inspiração Ideias são conjecturas Que de dia são mais raras. Porque de noite às escuras Parecem ser mais claras.  

— Gosta da poesia expressa de todas as formas em geral, ou tem algum estilo preferido ? (Por exemplo: Soneto, Quadra, Acróstico, etc.) 
EC — A boa poesia pode manifestar-se nos mais diferentes estilos, porém para mim particularmente como escrevo temas para fado , tenho preferência pelas sextilhas e quadras , mas também gosto muito do soneto pelo seu lirismo.  

— Como leitor, ”entrou” facilmente na POESIA? 
EC — Livros de poesia foram sempre os meus livros de de eleição desde os tempos de estudante. Ler poesia foi sempre aprazível para mim.  

— Sei que se tem dedicado muito “à poesia para o Fado” Porquê essa tão grande dedicação? 
EC — Nutro pelo fado uma inexplicável paixão como constante da vida. A ele dedico grande parte dos meus escritos e do meu tempo organizando noites de fado há muitos anos. Nele vejo retratada a ALMA PORTUGESA que continua a alimentar em mim viva e acesa esta chama Lusíada, com um desmedido orgulho de SER PORTUGUÊS e pertencer a ESTE POVO QUE NÓS SOMOS. Deixo aqui este poema ALMA LUSÍADA, que ofereço a todos os nossos compatriotas espalhados pelo mundo. Faço aqui também um convite para visitarem a minha pagina na internet www.euclidescavaco.com para verem e ouvirem este e outros poemas patrióticos declamados. 

ALMA LUSÍADA 


Ser português
É amar a Pátria Portuguesa.
É tê-la sempre presente
É gostar com muita firmeza
Das nossas coisas
E da nossa Gente.

Ser português
É vibrar de emoção
Ao descobrir
Entre mil bandeiras
Desfraldadas ao vento
A bandeira da Nação.

Ser português
É ter orgulho da nossa história
E dos nossos antepassados.
É dar testemunho
De tudo o que somos
E com muito prazer
Nos sentirmos honrados.

Ser português
É entoar com emoção
O nosso Hino e as nossas canções
E sem apreensão
Cantar, falar, ou rezar,
Em qualquer parte sem hesitar
A língua de Camões.

Ser português
É ser diferente
É ter alma Lusíada
É saber estar ausente
E em qualquer lado
Gostar de tudo
O que evoca a Pátria
E nos inspira amor
A esse cantinho
À beira mar plantado !…
.. Euclides Cavaco

sábado, dezembro 09, 2006

“Até ao fim do ano vão regressar a Portugal milhares de portugueses”

“Até ao fim do ano vão regressar a Portugal milhares de portugueses”


Deixou Portugal na época “do salto” a grande deslocação de emigrantes para a Europa. Atravessou a fronteira clandestinamente e procurou melhor sorte em França, na Holanda e na Alemanha. Foi na Suíça que fixou residência há 34 anos. É um veterano da emigração. Sindicalista, coordenador do Conselho das Comunidades Portuguesas neste país, membro de várias comissões de defesa dos direitos dos emigrantes, Manuel Beja é um profundo conhecedor das realidades e dos problemas dos emigrantes.


Manuel Araújo


Pergunta - O que é actualmente a emigração portuguesa na Suíça?


Manuel Beja - Entre um passado ainda recente e o actual “retrato” desta comunidade há profundas diferenças. É uma comunidade em plena rotação. Os emigrantes mais antigos regressam a Portugal com a família e, como resultado das dificuldades actuais do mercado de trabalho nosso país, são milhares os jovens trabalhadores na procura de um posto de trabalho na Suíça. Como resultado, a comunidade aumenta. Cerca de 7200 novos emigrantes obtiveram uma nova autorização de trabalho e residência no passado ano. Estamos cada vez mais próximos das 200 mil pessoas. A segunda e terceira geração, filhos dos primeiros heróis emigrantes, reforçam igualmente a sua influência. A comunidade continua a ser jovem e cada vez melhor integrada.

PERGUNTA - Houve então mudanças significativas?


MB - Sublinho como traços mais marcantes o desenvolvimento da aplicação Acordo Bilateral entre a Suíça e a União Europeia, relativamente á livre circulação de pessoas. Hoje é tudo mais fácil do que era dantes, o referido Acordo abriu novas portas à integração dos portugueses residentes na sociedade Helvética. Acabaram-se as inúmeras discriminações, como por exemplo o Estatuto do Trabalhador temporário de “triste memória”, para muitas dezenas de milhares de portugueses.

PERGUNTA - Falou-se, recentemente, de uma Lei de emigração, apontada como uma lei racista, aprovada em referendo popular. Que influência pode ter a nova lei no futuro dos portugueses residentes na Suíça?


MB - É importante dizer que esta nova Lei não afecta directamente os portugueses residentes na Suíça, ou qualquer cidadão da União Europeia nas mesmas circunstâncias. No entanto, moralmente e politicamente, não nos identificamos com os resultados do referendo. Cerca de 68 por cento dos votantes votaram a favor da nova lei sobre emigração e a limitação do acesso ao direito de asilo. No novo quadro legal todos os requerentes de asilo passam a estar privados da ajuda social e aqueles que recusem cooperar podem ser detidos. Quanto à lei de emigração, esta impedirá a chegada à Suíça de imigrantes fora do Espaço da União Europeia que não tenham sido previamente recrutados para um posto de trabalho preciso. Esta nova Lei abre o caminho à prática de uma discriminação acentuada na questão particular do reagrupamento familiar. Perante esta atitude de grande intolerância não nos podemos considerar felizes. Estas leis quebram a própria tradição humanitária da Suíça. Foi por isso que muitas organizações de emigrantes, religiosas, sindicais e outras declararam o dia do referendo; “ como um dia negro para a democracia.”

PERGUNTA - Estás convicto que a comunidade portuguesa na Suíça é assim tão participativa, como algumas vezes tens defendido?


MB - Os emigrantes querem e exigem o direito à informação. Quando recebem correcta informação e o motivo central do tema lhes diz directamente respeito, participam de forma consciente. Não é uma comunidade apática, isolada, passiva aos problemas que os rodeiam. Desconfiam e exigem claras palavras sobre a questão em causa. Recentemente, na cidade de Berna, os sindicatos promoveram uma grande manifestação nacional a favor de um aumento salarial à volta dos 4 por cento. Frente ao Parlamento desfilou um compacto grupo de mais de 25 mil manifestantes, sendo um quarto dos participantes trabalhadores com o passaporte português. Isto não é a primeira vez que acontece.


PERGUNTA - No entanto continua a divulgação de situações pouco sérias, senão mesmo escandalosas, com portugueses que se deslocam para a Suíça trabalhar?


MB - Os traços marcantes desta situação são conhecidos: a actuação de empresas de contratação de trabalhadores para contractos de temporada com sede em Portugal e na Suíça, ou a actuação incontrolável de pessoas ou de grupos na contratação de pessoal nas regiões afectadas pelo desemprego e a promessa de colocação na Suíça. As pessoas pagam por um serviço: o contrato, sem conhecerem o patrão, ou a empresa para onde vão trabalhar, nem tão pouco às condições de trabalho a que devem obedecer, isto é, as normas locais de contratação. Antes de deixar Portugal cada “candidato” a emigrante deve, não importa para qual o país, obter informações muito claras. O tempo “do salto” já lá vai; estamos num mundo muito diferente, moderno (?), onde as regras existentes estão a ser constantemente postas de lado. Concretamente, cada trabalhador emigrante ao sair de Portugal deve estar muito atento para não cair nas mãos dos oportunistas, ou vigaristas.

PERGUNTA - Num país como a Suíça, como é que a comunidade portuguesa está organizada?


MB - Existem dezenas de associações e clubes com sedes activas, mais de duzentas organizações. Comissões de pais de apoio ao ensino da língua e cultura portuguesa. Temos órgãos de comunicação social próprios; rádios e jornais. As missões católicas ocupam uma posição de grande relevo no apoio espiritual e social a quem os procura. Sindicatos suíços com funcionários e secretários de língua portuguesa. As empresas portuguesas alargam a sua intervenção em sectores económicos muito importantes. A Embaixada de Portugal, Consulados, ICEP e o Conselho das Comunidades Portuguesas ocupam o papel central da organização desta comunidade.

PERGUNTA - Fala-se em Portugal de que milhares de portugueses quererem deixar a Suíça pelo facto de não lhes serem dadas garantias do levantamento dos fundos da previdência profissional, os chamados fundos do 2° pilar? O que é isso afinal e que consequências traz?


MB - Vamos falar de uma questão que é única no Mundo. Na Suíça foi criado um fundo de Previdência Profissional obrigatório como complemento do seguro oficial de velhice e invalidez. Isto é um complemento do seguro que nos garante, mediante os contributo que cada um de nós paga, as reformas de invalidez e velhice. Como esse pilar ( oficial) de segurança é insuficiente para garantir o mínimo de vida de um trabalhador, após mais de quatro dezenas de descontos, foi criado um sistema paralelo apenas com os contributos do trabalhador e as empresas. O princípio é, com estes fundos, assegurar, de forma adequada, a manutenção do nível de vida habitual no período de reforma. No entanto estes fundos podem, caso o assegurado o entenda, ser levantados na condição de deixar definitivamente a Suíça e fixar residência em Portugal. Não é uma situação nova, existe desde que este sistema entrou em vigor. Perante esta realidade temos duas opções: reforma, ou levantamento de capital!

PERGUNTA - Então a situação não é tão complicada como isso?


MB - Exactamente o contrário! Tudo depende da situação financeira e pessoal do interessado, e muito particularmente da questão principal, a esperança de vida.


Existem pessoas que preferem o capital líquido deste fundo e outras a reforma. Isto que dizer que, o Acordo assinada entre as instituições suíças e portuguesas, do qual eu sou um defensor, vai permitir futuramente, mesmo após a data de 1 de Junho de 2207, o levantamento destes fundos.

PERGUNTA - Mas afirma que vão regressar a Portugal mais de 15 mil emigrantes até final do ano.


MB - É verdade! Existe uma tendência para o regresso imediato pelo facto das pessoas desconhecerem a existência deste acordo e, também, por se estar injustificadamente num regime de alarme e suspeição. Existe a informação, neste caso oficial e segura, e a contra informação (o jornal da caserna). Infelizmente a segunda posição tem muita influência junto das pessoas menos esclarecidas. Quanto a nós, conselheiros da comunidade, temos o dever de esclarecer as pessoas. No entanto cada um pode fazer aquilo que muito bem entender.


PERGUNTA - Circulou há pouco tempo a notícia de que os membros do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas, do qual você faz parte, queriam pedir a demissão por não se entenderem com o Secretário de estado, Dr. António Braga.


MB - Sim, é verdade! Essa possibilidade foi colocada e foi posta de parte porque os conselheiros, e muito bem, procuraram um entendimento directo com o actual titular da pasta das comunidades. Vivemos num país democrático e, como é natural, procuramos junto dos responsáveis do Estado uma melhor relação. Se o Estado Português criou um órgão de consulta e representativo dos portugueses espalhados pelo Mundo é evidente que os seus membros, eleitos pelas bases, os emigrantes, entendam ser consultados sobre estas políticas. O Dr. António Braga compreendeu isto, e, acreditamos, as relações vão melhorar.


PERGUNTA - Para finalizar quer deixar uma mensagem.


MB - Sim! Todos nós somos portugueses e temos responsabilidades no futuro de Portugal. Todo o português dentro ou fora da sua fronteira deve procurar criar entre si uma ponte de ligação universal. O futuro está nas nossas mãos!

sexta-feira, dezembro 08, 2006

É muito estúpido no país Portugal ter de haver uma lei para se ouvir música...


António Manuel Ribeiro - UHF
"É muito estúpido no país Portugal ter de haver uma lei para se ouvir música..."





Após vários anos sem pisar os palcos dos Coliseus, António Manuel Ribeiro, cantor, compositor, poeta, músico e timoneiro do mais antigo e carismático grupo de Rock português em actividade, os UHF, levaram recentemente ao rubro os fãs que preenchiam as salas, conseguindo agregar três gerações pais, filhos e netos, vivendo todos eles momentos de euforia. Ao lado de António Manuel Ribeiro, estiveram António Côrte-Real na guitarra, Fernando Rodrigues, baixo e Ivan Cristiano na bateria. De referir, que parte das receitas arrecadadas dos concertos, reverteram a favor da missão da AMI no Líbano.




Manuel Araújo



 — Quantos anos de vida tem já a vossa banda, onde nasceu?

António Manuel Ribeiro - Os UHF começaram há 28 anos atrás, entre a cidade de Almada e a vila da Costa de Caparica.

 — São então, a banda Rock mais antiga de Portugal?

AMR - Sim, neste momento somos o grupo mais antigo em actividade.

 — Actualmente quem são os elementos dos UHF?

AMR - O quarteto é formado pelo António Côrte-Real (guitarra), Fernando Rodrigues (baixo), Ivan Cristiano (bateria) e por mim.

 — Desde o vosso início como banda, quantos trabalhos já publicaram?
AMR – Não sei ao certo, mas são muitos, prata, ouro e platina, e a caminho do primeiro milhão. Só no ano passado, por causa do campeonato ganho pelo meu clube, o hino “Sou Benfica” disparou nas vendas e foi um ouro e quatro platinas.

 — Qual o trabalho discográfico e o espectáculo mais marcante da tua carreira?

AMR – Não há. As coisas não são assim. Estou a caminho dos 28 anos de carreira. Não há um concerto, são muitos e muito bons. Com quase 300 canções escritas já não sei isolar uma apenas.

 — O teu último livro foi “Cavalos de Corrida – A Poética dos UHF”. Quantos já publicaste e onde se podem adquirir?

AMR – Este é o meu terceiro livro, depois de “Todas As faxes de Um Rosto” (2002) e “Se o Amor Fosse Azul que Faríamos Nós da Noite?” (2003). Estão à venda em todas as livrarias ou através da loja virtual do site dos UHF www.uhfrock.com.

 — Catorze anos depois, e a fechar a digressão 2006 com chave de ouro, os UHF voltaram aos Coliseus de Lisboa e Porto. Como foi e qual foi a sensação?
AMR - Foi bom e foi mágico para nós e para os fãs. Sabes que nós podemos andar um ano inteiro a dar grandes concertos por aí, mas se não vamos àquelas salas míticas parece que nada acontece. Aproveitámos também para gravar os dois concertos para DVD (Lisboa) e CD (Porto).

 — Esse CD e o DVD que referes, quando vão ser comercializado e onde se podem adquirir?

AMR - A edição do DVD+CD só acontecerá em 2007, provavelmente depois do verão, com outro grande concerto. A sua aquisição é naturalmente feita nas lojas especializadas.

 — E agora, como vês o futuro, que projectos?

AMR - Há muito que vejo o futuro através do presente – chama-se a isso o eterno momento do agora. É evidente que tenho, temos, vários projectos para coisas que queremos fazer – uma digressão acústica no inverno, dois a três discos de estúdio e outras coisas como continuar a escrever livros, no meu caso pessoal. Mas aprendi a tempo que, se não vivermos um dia de cada vez, soçobramos na ansiedade da interrogação que é o futuro. É um defeito educacional que já ultrapassei.

 — O que pensas do actual panorama da música portuguesa?

AMR – Não penso grande coisa, mas eu também não sou nem um alinhado nem um pedinte – não sou politicamente correcto. Como em quase tudo no nosso país, se as coisas estão mal, os autores somos nó, falando de uma perspectiva interna. Externamente estamos a sofrer com a nova era da pirataria informática, como em todo o mundo. Para um mercado curto e frágil tudo se torna mais difícil.

 — Crês que, após a aplicação da nova Lei, que obriga as rádios a passar mais música portuguesa, o panorama musical se alterou?

AMR – Não faço a mínima ideia. Pessoalmente não sinto esse crescendo. E é muito estúpido n o país Portugal ter de haver uma lei para se ouvir música feita pelos nativos. Em Portugal andamos assim, a recuar, com medo, sem desígnio.

 - A Música em Portugal é apoiada por algum organismo ou instituição?
AMR – Não, nem tem que ser. A música é um produto, inserido numa indústria, representa a cultura de cada tempo e deve ter livre acesso à divulgação: foi para isso que se inventou a rádio. Já agora, para nos rirmos um pouco: que tal os noticiários passarem as notícias do passado e os anúncios serem do outro século?

 — A repressão, ultimamente efectuada pela Polícia Judiciária, contra os “piratas dos downloads” de música, já se reflectiu no aumento das vendas?

AMR – Não sei, penso que não. O problema português e á falta de dinheiro para comprar o chamado “produto cultural”. É a diferença entra os visitantes de uma FNAC em Paris que andam com um cabaz às compras e uma FNAC de Lisboa com pessoas a ouvir e a lerem de borla de uma forma continuada. A actuação da PJ sobre a pirataria dos downloads vai no seguimento daquilo que há muito se faz no resto do mundo civilizado.

 — Não serão os 21% do IVA, que torna o valor do CD proibido para muitas bolsas, que ajuda a fomentar a “pirataria”?

AMR – Para um país de tantas fragilidades culturais, era bom o governo percebesse que o disco não é um produto diferente do livro, apesar do primeiro ter um IVA de 21% e o segundo de 5%. Não se geram mais receitas em impostos: geram-se novos esquemas para obter o disco sem pagar nada aos autores, aos artistas e… pasme-se, ao Estado. É uma questão básica e primária.

 - Na perspectiva do comprador, valerá a pena comprar um CD novo, se passados uns dias em “promoções”, se pode adquirir esse mesmo CD, a menos metade do preço?

AMR – Escrevi sobre essa matéria há um mês no blogue Canal Maldito, provocando a ira dos pequenos patrões da nossa indústria musical. Vivem com um sonho: pode ser que pegue e se pegar, pagam. Volta Eça de Queirós, o país continua saloio.

 — Se não fosses músico, que outra profissão escolherias?

AMR - Não sei, lá vem a questão de há pouco: se vives o eterno momento do agora, também não olhas para trás, não te lamentas, passaste, aprendeste, experienciaste, segue o teu caminho. Eu gosto de ser músico, compositor, escritor. Vivi com a música um crescimento pessoal fantástico. Por isso voltaria a escolher ser músico-escritor.

 — Para terminar, uma palavra para os fãs dos UHF espalhados por todo o Mundo.

AMR - Através do sítio www.uhfrock.com vamos continuar o diálogo. Espero sempre poder estar num palco perante vós. Abraço.

domingo, dezembro 03, 2006

Agradecimento, desculpa e informação

Desculpem o meu prologado silêncio, mas após insistência de tantos emails a questionar o porquê da demora da saída do jornal, queria que ficassem a saber por mim e não por terceiros, ou de bocas maldizentes, o porquê desta demora.

Sim, eu fui convidado para ser o responsável editorial, de uma publicação, num projecto que estava já em marcha.

Esse projecto, de que faziam parte vários “jornalistas”, era baseado numa rádio, uma TV online e num jornal em papel e tal como me foi apresentado, era um projecto bastante ambicioso e inovador, por isso aceitei o desafio.

A minha função, era a edição e execução do jornal e na data inicialmente acordada e anunciada publicamente, estava pronto para a rotativa.

Devido a problemas burocráticos e legais, dos quais sou totalmente alheio e que não tem muito interesse saber neste momento, constatei não ser viável a edição da referida publicação.

Passado todo este tempo, acho que fazia sentido dar uma explicação, a todos aqueles que me conhecem e incondicionalmente deram o seu apoio.

Quero aqui também, publicamente pedir desculpa, agradecer e sobretudo informar, de que já nada me liga ao referido projecto, no qual, inicialmente acreditei e lhe reconheci qualidades.

A todos um obrigado e quem sabe, talvez um até já...

Manuel Araújo
http://manuelaraujo.blogspot.com

terça-feira, novembro 28, 2006

"Apito doirado?" Que é isso?

Árbitro suspenso protesta em frente à Federação

O árbitro Luís Leão Rodrigues prosseguiu hoje o seu protesto à porta da sede da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), contestando a suspensão de quatro meses de que foi alvo, após ter denunciado uma tentativa de corrupção.


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Comentários para quê ?

segunda-feira, novembro 27, 2006

FIJ E FEJ CRITICAM ALTERAÇÕES AO ESTATUTO DO JORNALISTA EM PORTUGAL

Em carta enviada a 23 de Novembro aos Grupos Parlamentares e ao ministro Augusto Santos Silva, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) e a Federação Europeia de Jornalistas (FEJ) expressam profunda preocupação com as propostas de alteração do Estatuto do Jornalista português apresentadas à Assembleia da República e admitem recorrrer ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
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SJ PROMOVE DEBATE EM BRAGA SOBRE A CAIXA DOS JORNALISTAS

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) convida todos os jornalistas dos distritos de Braga e Viana do Castelo para uma reunião dia 29 de Novembro, às 21 horas, na Junta de Freguesia de S. Victor, em Braga.
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domingo, novembro 26, 2006

Poema DECLAMADO de Euclides Cavaco

POR TI é um poema declamado, com sabor romântico, que pode ouvir e ver em: http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Por_Ti/index.htm

Também em, http://www.euclidescavaco.com/Entrevistas/RadioClubeMonsanto.htm poderá ouvir um resumido excerto do apontamento feito pela Radio Clube de Monsanto sobre Euclides Cavaco.

Visite o extraordinário trabalho deste grande português, residente no Canadá:
http://www.euclidescavaco.com

Regresso em massa da Suíça





Domingo, 26 de Novembro de 2006


Regresso em massa da Suíça

15 mil voltam para Portugal

Até ao final do ano cerca de 15 mil emigrantes portugueses na Suíça devem regressar definitivamente ao nosso país, aproveitando a possibilidade de levantar, na totalidade, a verba que ao longo da carreira contributiva descontaram no âmbito de um fundo de complemento da reforma conhecido como ‘segundo pilar’.

Apesar de, graças a um acordo recente, os emigrantes portugueses continuarem a ter direito de opção entre o levantamento do capital e o complemento de reforma para lá de 31 de Dezembro deste ano, notícias recentes davam conta de um ultimato das autoridades suíças, segundo o qual ou levantavam o dinheiro até ao final do ano, viajando definitivamente para Portugal, ou ficavam sem ele. Muitos optaram por não arriscar e marcaram para estes dias o regresso à terra natal.

“É verdade. Existe uma tendência para o regresso imediato pelo facto de as pessoas desconhecerem a existência deste acordo e também por se atravessar nesta altura, em nosso entender injustificadamente, um momento de algum alarme e até de suspeição”, disse Manuel Beja, conselheiro das comunidades portuguesas eleito pela Suíça.

Para este responsável, emigrante há 34 anos e profundo conhecedor da situação helvética, “o acordo assinado entre as instituições suíças e portuguesas permite o levantamento destes fundos, mesmo a partir do final do ano. Isto é o que nós temos dito em todas as reuniões e encontros com as comunidades. No entanto, cada um faz aquilo que bem entender”.

O regresso em massa a Portugal, para muitos o maior depois êxodo das antigas colónias portuguesas, tem a ver com o facto de muita gente ter direito a quantias bastante significativas e de não querer arriscar a perda dessa verba.

“Há pessoas que têm a receber mais de 500 mil euros, o que é muito dinheiro. E quando começa a constar alguma coisa, o melhor é prevenir, porque não há fumo sem fogo”, disse ao Correio da Manhã António José Fonseca, emigrante na Suíça há quase 25 anos.

Apesar de não ter tanto dinheiro a receber – “pouco passa dos 200 mil euros” – este emigrante diz que não vai arriscar ficar sem ele.

“Nós aqui descontamos muito dinheiro com o objectivo de termos um benefício um dia mais tarde. Ora, não vamos perder esse benefício e continuar aqui a trabalhar no duro”, explicou António Fonseca.

Também Alice Carneiro, que trabalha num hotel no cantão de Genebra há mais de 20 anos, decidiu fazer as malas e deixar o país para não perder os mais de 160 mil euros a que tem direito. “Tenho 55 anos e não consigo juntar esse dinheiro até à idade da reforma. Por isso, vou-me embora e reorganizar a minha vida em Portugal”, disse a emigrante ao CM.

Apesar deste provável êxodo de cerca de 15 mil pessoas da Suíça para Portugal, a verdade é que a emigração portuguesa para aquele país não pára de crescer.

Só em 2005, obtiveram autorização de trabalho na Suíça 7200 portugueses, a maioria dos quais para as cidades de Genebra e Zurique. Nesta altura, a comunidade portuguesa naquele país deve rondar as 200 mil pessoas.

PAÍS DOS ALPES ACOLHEU 46 MIL PORTUGUESES EM CINCO ANOS

A entrada de portugueses na Suíça quase quadruplicou entre 2001 e 2004, revela o último relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. ‘Perspectiva das Migrações Internacionais’ indica que a Suíça lidera na escolha dos emigrantes nacionais. Partiram para o país dos Alpes cerca de 12 mil no último ano e 13 600 em 2004.

Em 2003 foram 10 100 os que ali procuraram trabalho; em 2002 emigraram 6600; e em 2001 foram 3700. Este crescimento levou a que hoje vivam na Suíça cerca de 160 mil pessoas de nacionalidade portuguesa. Há ainda mais de 20 mil suíços luso-descendentes ou portugueses que obtiveram passaporte suíço. Um número estimado em mais 20 mil representa uma população flutuante, na maior parte trabalhadores sazonais. Turismo, restauração e construção civil ocupam grande parte da comunidade portuguesa, a terceira maior estrangeira depois da italiana e da sérvia.

"ACABOU A TRADIÇÃO HUMANITÁRIA DA SUÍÇA" (Manuel Beja, conselheiro das Comunidades portuguesas eleito pela Suíça, diz que, apesar de não afectar os portugueses, a nova lei da imigração é discriminatória)

Correio da Manhã – É verdade que milhares de portugueses se preparam para deixar definitivamente a Suíça por causa do chamado ‘segundo pilar’?

Manuel Beja – Em primeiro lugar é necessário referir que estamos a falar de algo único no Mundo. Na Suíça foi criado um fundo de Previdência Profissional obrigatório como complemento do seguro oficial de velhice e invalidez, que ficou conhecido como ‘segundo pilar’. Tratou-se de uma forma de assegurar a manutenção do nível de vida habitual no período da reforma. No entanto, estes fundos podem, caso o assegurado o entenda, ser levantados na condição de deixar definitivamente a Suíça e fixar residência em Portugal. Não é uma situação nova, existe desde que este sistema entrou em vigor. Nos últimos meses, constou que quem não levantasse o dinheiro até ao final do ano corria o risco de ficar sem ele, o que fez com que muita gente decidisse regressar a Portugal.

– Mas as pessoas têm ou não razão para pensar dessa forma?

– Não. É exactamente o contrário! Tudo depende da situação financeira e pessoal do interessado e muito particularmente da questão principal: a esperança de vida. Há pessoas que preferem o capital líquido deste fundo; outras preferem a reforma. Nós temos dito sempre que há um acordo assinado entre as instituições suíças e portuguesas que permite, mesmo após 1 de Junho de 2007, o levantamento destes fundos.

– No entanto, podemos presenciar o regresso a Portugal de 15 mil emigrantes?

– É verdade. Existe uma tendência para o regresso imediato pelo facto de as pessoas desconhecerem a existência deste acordo. Quanto a nós, conselheiros da comunidade, temos o dever de esclarecer as pessoas. No entanto, cada um pode fazer aquilo que muito bem entender.

– Como analisa a nova lei da imigração da Suíça?

– É importante dizer que esta nova lei não afecta directamente os portugueses residentes na Suíça nem qualquer cidadão da União Europeia. No entanto, moral e politicamente, não nos identificamos com os resultados do referendo. Não podem entrar na Suíça imigrantes de fora do espaço europeu que não tenham sido previamente contratados, o que dificulta a instalação de famílias. Esta lei quebra a tradição humanitária da Suíça. Foi por isso que muitas organizações religiosas e sindicais declararam o dia do referendo como “um dia negro para a Suíça e para a democracia”.

PERFIL

Deixou Portugal na época ‘do salto’. Atravessou a fronteira clandestinamente e procurou melhor sorte em França, na Holanda e na Alemanha. Foi na Suíça que fixou residência há 34 anos. É um veterano da emigração. Sindicalista, coordenador do Conselho das Comunidades Portuguesas neste país, membro de várias comissões de defesa dos direitos dos emigrantes, Manuel Beja, 64 anos de idade, é um dos mais profundos conhecedores das realidades e dos problemas dos emigrantes.

APONTAMENTOS

QUASE 200 MIL

Apesar de estar previsto o regresso de 15 mil emigrantes portugueses na Suíça até ao final deste ano, a verdade é que a comunidade portuguesa naquele país não tem parado de crescer, a uma média de quase dez mil pessoas por ano. Nesta altura residem e trabalham na Suíça quase 200 mil portugueses.

NOVO DESTINO

Espanha é, actualmente, um dos países para onde os portugueses mais emigram, pela proximidade e pelo crescimento económico. Agricultura e construção civil são as actividades que mais portugueses empregam no país vizinho. Muitos vão e vêm todos os dias ou ao fim-de-semana, mas são cada vez mais os que lá fixam residência. Nos últimos dois anos foram 20 mil.

A SALTO PARA FRANÇA

Foi durante quase quatro décadas o grande destino da nossa emigração. Aliás, é em França que reside uma das maiores (se não a maior) comunidades da diáspora. No entanto, o aumento do desemprego, a partir de meados da década de 90, ditou o abrandamento da emigração para a França.

OS PROBLEMAS

O Canadá e, mais recentemente, a Holanda estão na memória dos portugueses como países de dificuldades para os emigrantes. No Canadá, no ano passado, expulsaram quem não tinha papéis. Na Holanda, cerca de uma centena de portugueses foram enganados, ao ponto de passarem fome.

PALOP E BRASIL

Apesar de atravessarmos uma época em que, por norma, são os africanos e brasileiros que emigram para Portugal, há cada vez mais portugueses a escolherem as antigas colónias como destino. Sobretudo ao nível de mão-de-obra especializada e na qualidade de quadros de empresas portuguesas ou multinacionais.

Secundino Cunha, Braga / Manuel Araújo, Lusitano de Zurique

sexta-feira, novembro 24, 2006

Diário do Minho tem nova Gráfica

Situada no complexo industrial da Grundig, em Braga, a Empresa do Diário do Minho inaugurou oficialmente hoje, as novas instalações da sua Gráfica e representa um investimento de cinco milhões de euros.

Durante o acto, o administrador, cónego Fernando Monteiro , afirmou que é —“Uma aposta ousada, que demonstra responsabilidade social da Igreja na criação de postos de trabalho, apesar da crise que se faz sentir à nossa volta”.

De referir que esta unidade de produção gráfica, é um dos centros de impressão mais importantes do norte de Portugal.

Está equipada com a tecnologia mais avançada do sector e oferece também os melhores preços praticandos no mercado nacional.







Fim do porte pago - Bater nos fracos, assim não vale


O Conselho de Ministros aprovou recentemente o fim da comparticipação do Estado nas despesas de distribuição por correio da imprensa regional.

Em alternativa, vai criar um portal na Internet onde os jornais regionais podem estar disponíveis em versão digital.

Esta é uma medida dura e extrema, que vai penalizar muitos portugueses que vive e trabalham no estrangeiro e querem continuar ligados à sua terra e que não tem possibilidades de usar os meios informáticos para a leitura dos jornais.

Com esta medida, acredito que a Língua de Camões será cada vez mais esquecida o que é de lamentar...

Poupar e cortar estou de acordo, mas que seja nos lucros da banca que são cada vez maiores, nos ordenados dos directores-gerais, dos políticos, nas escandalosas reformas milionárias de alguns privilegiados e nas fiscalizações eficazes, às grandes empresas que fogem às suas obrigações fiscais.

Isso sim, era ter coragem de "mexer" nos grandes e poderosos e "intocáveis"... bater nos fracos, assim não vale.

Manuel Araújo

sábado, novembro 18, 2006

Temporal...

É Sábado, fim de tarde... chove forte, o vento uiva lá fora, há relâmpagos e trovões. Gosto de os ver e ouvir...

É o prenúncio de um fim de semana em casa, o qual vou tentar aproveitar para por a escrita e as ideias em dia... e tentar ouvir e gravar para formato digital, uns discos de vinil, que guardo há muito tempo e sempre tenho prometido que —"vai ser no próximo fim de semana". São discos sentimentalmente muito valiosos. Vamos a ver, se vai ser este, o tal fim de semana... pois, tenho prometido e falhado a mim mesmo, o que não é grave, porque não causa prejuízos, nem danos a ninguém.

Vem isto a propósito, da nova realidade, que é voltar a aprender a viver em Portugal... e de entender a actual situação, das desigualdades, injustiças, mentiras e fraudes. Em suma, do —“safe-se quem puder”.

Em 1980 deixei Portugal, um Portugal em mudanças, um Portugal fervilhando, em evolução constante, graças à Revolução de Abril de 74 e ao corte com o passado retrógrado, de guerras injustas, castrador das ideias, do pensamento e da acção.

Foram mais de duas décadas, a viver e a labutar no seio de culturas com hábitos diferentes dos nossos, o que não foi muito difícil, porque está nos genes dos portugueses, o saber adaptar-se a novas situações e arranjar soluções para todo o tipo de problemas que os enfrenta.

Durante esse tempo, deu para aprender e diferenciar métodos e organização de vários sectores produtivos e também das mentalidades dirigentes... e da exigência do cumprimento do pré-estabelecido; sejam eles contratos, prazos ou horários.

Não sou economista, nem “doutor” em qualquer área, mas sei, que se o operário não se sentir motivado, não rende e é escusado ser pressionado ou aumentar-lhe a carga horária, para produzir mais, pois um funcionário descontente e desmotivado, não produz qualidade nem quantidade.

O segredo dessa motivação e do “desenrasca”, do português “lá fora”, está num ordenado justo, um posto de trabalho seguro e organizado, formação adequada, respeito e um ambiente agradável.

Aqui em Portugal, esse cenário será raro e pelo contrário, vivemos um momento de crise, desemprego e de exclusão social, onde o operário é sempre o "bombo da festa" que paga todos os impostos sem refilar. Todos deveriam contribuir e também pagar, porque nem todos pagam e se pagam, pagam pouco.
Também a fiscalização económica em geral é deficiente, uma vez que existem grandes empresas que fogem aos impostos e até utilizam trabalho ilegal não declarado. O trabalhador é descartável, como sendo uma mera mercadoria de supermercado.

Senhores governantes e empresários, onde está a vontade, imaginação e o “desenrasca”, que nos está nos genes e as asas que nos foram dadas em Abril de 74, para nos tirar deste buraco? Façam um esforço e lembrem-se que somos bons, somos os melhores, mas lembrem-se também que — “não é com vinagre que se apanham moscas”.

É noite e a chuva e os trovões já não se fazem ouvir, desligo a música... e vou ver na TV o Braga - Benfica. Ganhe quem ganhar, não ficarei satisfeito, é um jogo “fratricida”.



Manuel Araújo

quarta-feira, novembro 15, 2006

SJ contra encerramento da Caixa dos Jornalistas

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) manifesta a sua perplexidade e discordância com a anunciada intenção do Governo de encerrar a Caixa de Previdência e Abono de Família dos Jornalistas.
Em comunicado divulgado hoje, 15 de Novembro, o SJ estranha as declarações do secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, citadas pela agência Lusa, dando como certo o encerramento da Caixa de Previdência e Abono de Família dos Jornalistas (CPAFJ) e o fim do subsistema de saúde dos jornalistas a partir de Janeiro de 2007.

A surpresa do SJ deve-se ao facto de as declarações surgirem dois dias depois de uma reunião, realizada a pedido da CPAFJ, com o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, e o próprio secretário de Estado Francisco Ramos, em que foi acordado prosseguir a discussão, no âmbito do Ministério da Saúde, quanto ao subsistema de saúde dos jornalistas.

Reafirmando a sua firme discordância com a intenção do Governo de extinguir a CPAFJ, o SJ garante que lutará "pela defesa dos direitos" dos jornalistas.

Também a Comissão Administrativa da CPAFJ reagiu às declarações de Francisco Ramos, solicitando de imediato uma reunião com carácter de urgência ao ministro da Saúde.

É o seguinte, na íntegra, o comunicadodo SJ:

JORNALISTAS DEVEM DEFENDER A SUA CAIXA!

1. O Sindicato dos Jornalistas foi surpreendido por declarações do secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, citadas pela agência Lusa, que dão como certo o encerramento da Caixa de Previdência e Abono de Família dos Jornalistas (CPAFJ) e o fim do subsistema de saúde dos jornalistas a partir de 1 de Janeiro de 2007.

2. A surpresa decorre desde logo do facto de aquele membro do Governo apresentar uma data que não só não foi anunciada às entidades com responsabilidades nesta matéria como contraria frontalmente a perspectiva de uma solução consertada, embora seja claro que não foi o Governo a tomar a iniciativa – que deveria ter tomado – de esclarecer a situação.

3. Com efeito, realizou-se na passada segunda-feira, dia 13, uma reunião na qual estiveram presentes o ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, o secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, e a Comissão Administrativa da CPAFJ, órgão de gestão que integra uma presidente nomeada pelo Governo, Maria Antónia Palla, e os vogais designados pelo Sindicato dos Jornalistas, Anabela Fino e José Imaginário.

4. Na reunião, realizada a pedido da CPAFJ, o Governo comunicou a sua intenção de encerrar a Caixa, mas, sobretudo no que diz respeito ao subsistema de saúde, comprometeu-se a agendar uma reunião para prosseguir a discussão.

5. Nessa conformidade, quer a Administração da Caixa em si, quer a Direcção do Sindicato dos Jornalistas iniciaram um processo de discussão interna para encontrar soluções que garantam a preservação dos direitos dos jornalistas, ficando na expectativa de um novo encontro.

6. Não obstante a precipitação do Governo e a comunicação de um timing que não fora indicado à CPAFJ, a Direcção do SJ reafirma a sua discordância veemente com as intenções do Governo de extinguir a Caixa dos Jornalistas e a decisão de lutar pela defesa dos direitos destes profissionais.

7. A Direcção do SJ manterá os jornalistas informados das diligências e iniciativas que entenda úteis à defesa desta causa, mas apela desde já a todos os profissionais, para que se mantenham unidos em torno de um objectivo central: a defesa da Caixa dos Jornalistas.

Lisboa, 15 de Novembro de 2006

A Direcção

quinta-feira, novembro 09, 2006

João Paulo II faz milagre

Cura de cancro
João Paulo II faz milagre

João Paulo II pode estar mais próximo de se tornar santo. Um italiano com cancro nos pulmões, rins e espinha diz-se curado por intercessão do Papa peregrino. A confirmar-se o milagre, será um passo importante para a subida de Karol Wojtila aos altares do Mundo.

Brainpix
Nicola Grippo e a sua mulher, Elisabetta
Nicola Grippo e a sua mulher, Elisabetta
Nicola Grippo, 76 anos, habitante de Salerno, Itália, sofria de cancro há três anos. Segundo os médicos, não havia qualquer esperança de cura. Num apelo dramático, Grippo pediu um milagre a João Paulo II, que terá aparecido em sonhos à sua mulher, Elisabetta. A doença desapareceu. O caso foi descrito pelo arcebispo Gerardo Pierro.

Após a morte de João Paulo II – e perante os apelos insistentes dos fiéis que se deslocaram a Roma para o funeral, Bento XVI decidiu abolir o prazo (mínimo) de cinco anos para se dar início ao processo de canonização de João Paulo II.

Esta antecipação não dispensa, contudo, o preenchimento dos restantes requisitos, entre os quais figura a existência de dois milagres – ou seja, situações de cura que não sejam explicáveis à luz do conhecimento científico actual.

Neste momento, o Vaticano estuda o caso de uma freira que sofria de parkinson (a mesma doença de João Paulo II) e que terá ficado curada no dia em que Wojtyla faleceu.

A confirmar-se a existência destes dois milagres, a canonização de João Paulo II será um dado praticamente adquirido.

ANÁLISE LONGA E EXAUSTIVA

A Igreja Católica é extremamente cautelosa na análise de curas sem explicação aparente.

O processo – longo, exaustivo e complexo – envolve um conhecimento profundo do historial clínico do paciente e a participação de reputados especialistas em várias áreas da medicina. O estudo de uma ‘cura milagrosa’ pode demorar anos.
Paulo João Santos

sábado, novembro 04, 2006

Carmindo Pinto de Carvalho - o Poeta operário


Carmindo Pinto de Carvalho

Nasceu em Nagosa -Moimenta da Beira, a 1 de Novembro de 1955. Em 1966 concluiu o ensino básico, foi camponês, trabalhador à jorna em trabalhos diversos e operário na construção civil. Com dezasseis anos foi para Lisboa, trabalhou como vigilante numa escola privada e posteriormente como empregado num hospital psiquiátrico.

Cumpriu o serviço militar na Marinha. Ao seu serviço viajou por vários países.

Irrequieto, permanentemente inconformado, munido de uma forte curiosidade e cedendo a vários impulsos deixou-se levar e em serviço ou lazer, pisou já cerca de vinte países. Em 1985 emigrou para a Suíça.

Depois de trabalhos diversos, fixou-se numa fábrica de tubagens metálicas e durante uma dezena de anos abraçou a vida associativa. Com paixão, deu muito do seu tempo e da sua “pele” tendo desempenhando vários cargos.

A necessidade da escrita surgiu-lhe tarde, já depois dos trinta anos. Recusou escrever para a gaveta, entrega ao vento, a leva dos seus trabalhos pelos cantos do mundo e algumas centenas, já foram publicados em vários órgãos da Comunicação Social.

É casado, tem três filhas e vive em Rorschach - Suíça e deu-nos nesta entrevista o seu ponto de vista no que se refere às dificuldades editoriais, mas não só.


Manuel Araújo




Quais os objectivos futuros ?

Conseguir acabar e editar um livro que será uma grande salada de: diário, critica social, crónica, prosa poética e conto. Será um pouco disto tudo, ou no seu conjunto, devido à sua defeituosa confecção, será algo de impróprio, um aborto, nada de nada .

Porque diz isso ?

O que criei até agora foi só Poesia. Este é outra coisa. Devido às minhas limitações literárias, estou a ter uma grande dificuldade para criar os diálogos. Tenho só a quarta classe e fez já quarenta e cinco anos que a tirei . Uma vez ouvi alguém dizer : — ” Está sempre a falar na sua quarta classe...” — E é verdade que sim, estou, mas é só com a intenção de que, isto sabendo , as pessoas sejam comigo condescendentes, e melhor tolerem os possíveis erros, que os meus escritos possam ter .

Existe algum apoio governamental à edição e criação?

O Estado, dizem que é pai de nós todos, mas afinal é só de alguns .
Assim como?

Alguns criadores de várias formas de expressão, dita de arte, são considerados filhos e logo adoptados e apoiados em projectos megalómanos, inúteis, ou prenhes de insanidade mental.

Quer dar algum exemplo?

Veja-se como exemplo, aquela versão da Branca de Neve e os Sete Anões, da qual saiu uma coisa a que o realizador, João César Monteiro chamou de filme. Mas como se pode chamar filme a uma coisa que não tem imagem? É como mostrar a pista sem carros e chamar de grande prémio de fórmula um. Eu acho uma grande aberração feita por um maluco, mas o pior, é que o dinheiro gasto não era dele, era de todos nós ! Os restantes são enjeitados. Que se desenrasquem. E é o que eu faço. Acabei de abdicar de três semanas de férias num lugar qualquer paradisíaco, para o qual poupei e investi no meu terceiro livro individual. Fiquei aqui em casa a “tirar o pó”, aos livros, aos discos, que sossegados me esperavam. No computador, a ver cinema em casa e a dormir sestas. E assim, as férias e o tempo fugiram! Acabou ! Para mim foi fácil porque tenho muitos hobbies.

E não teve saudades das férias?

Sim, tive momentos em que tive saudades de tantas coisas que costumo ter e encontrar nas férias. Na ausência de mar, fui molhar o grelo à piscina cá da terra. Nesses momentos, senti-me torturado pelo meu país e seus governantes, tal como disse recentemente uma Senhora muito conhecida !. Nesses momentos senti-me num casulo, torturado e à força enclausurado .
Pois, o Estado através dos seus serviços, deveria criar eventos, onde os autores se pudessem mostrar e onde os “olheiros”, fossem pescar os talentos e a partir daí, serem encaminhados e apoiados.

E não são ?

É claro que há algo parecido, levado a efeito por associações tais como; ¬— a APE e outras que atribuem prémios etc, mas penso que aí só há lugar para tubarões e por este andar nunca haverá para sardinhas nem carapaus.

E as Editoras ?

As editoras ? Então essas nem é bom falar… , dão-me vómitos ! Como firmas que são, à caça do lucro fácil e rápido, só apostam em nomes sonantes, em autores já conhecidos e reconhecidos. Até agora ninguém me indicou portas onde eu pudesse conseguir , algo em forma de apoio à edição e criação. Uma vez estabeleci uns contactos com um responsável do Consulado Português de Zurique, para obter informações de como me candidatar.

E não se candidatou?

Foi-me dito isto e mais aquilo, que tinha que preencher formulários, enviar amostras de trabalhos que seriam sujeitos a um parecer prévio e obrigatório do Sr. Cônsul, e posteriormente tudo aquilo seria encaminhado. Tudo isto me pareceu muito complicado e demorado até obter uma resposta, devido às portas, e corredores que tinha que percorrer. Desisti.

E as Associações Culturais não apoiaram ?

Por aqui, as associações, clubes etc., é que poderiam e deveriam fazer muito a nível da divulgação, estimulando e incentivando . Mas essas, devido à apatia geral, (ou quase) que se instalou nos vários núcleos da nossa comunidade, apenas organizam torneios de futebol, cartas e matraquilhos. Que me perdoem todos os amantes destas modalidades, que têm com certeza valor e são também de apoiar, mas há muito mais que se poderá fazer, sem tirar nem invadir o lugar de nada nem ninguém. Assim queiram as cabeças pensantes. Ao dizer isto sei que estou a remar contra a maré, pois que a maioria sente-se feliz com uma cerveja e uma cartada na mão. Afinal, se para eles está tudo bem, então eu é que estou deslocado, desfasado, no espaço e no tempo.


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A critica

Entre as inúmeras criticas favoráveis e por uma questão de espaço publicamos apenas um excerto da critica do conceituado Dr. José Cunha Rodrigues:

... os seus poemas, além de serem um extraordinário alerta para a consciência de cada um, denotam de sua parte uma grande coragem, fé e persistência. Uma capacidade de sondar o insondável, ou seja, para além do horizonte, mesmo quando ele (a)parece esborratado e fragmentado. As pessoas (como é o meu caso) deviam estar atentos à dinâmica empreendedora e determinada de homens como você, que constituem um bom exemplo do que é o espírito combativo. Como sabemos, num universo onde se impôs a ditadura do mau-gosto; é um prazer de verificar que ainda há quem reme contra a corrente. Quero, porém, felicitá-lo pela elaboração do seu livro de poesia ' Entre o ter e o querer", humanamente irrepreensível. Para quem o conhece e me tem falado de si, é aquilo que realmente importa: um espelho da sua personalidade - límpida e despretensiosa (não obstante “o fruto dos seus quatro anos de carteira e andarilho", que não têm qualquer importância para mim ?!?). Fiquei especialmente surpreendido (no que me diz respeito, penosamente surpreendido...) com as sua Introdução (Aviso à navegação"), tão eloquente e admiravelmente honesta. Muitos, muitos parabéns. Claro que me permito discordar do seu comentário (ainda na introdução) quando diz que (...) o resultado é com certeza uma grande “chachada", pois, ao contrário do que é habitual dizer-se, para mim a verdade é que "DE GUSTIBUS EST DISPUTANDUM???" Por tudo isto, aceite desde já os meus sinceros cumprimentos. Um abraço amigo, José Cunha Rodrigues.


Post Scriptum:

Um breve comentário ao seu livro " Entre o ter e o querer": O Carmindo é, em abono da verdade, um homem com vocação para a poesia. Apesar dos seus "quatro anos de carteira e andarilho", a sua escrita honesta e despretensiosa, têm o poder retumbante de sacudir de uma forma corajosa e ímpar as adversidades que a vida lhe foi dando. E um poeta nato, um pessimista convicto, um optimista prolixo. Saboreando a sua "caldeirada de palavras ", descobrimos paladares deliciosos, um saibo indescritível, maravilhoso e contagiante. Quem prova, jamais esquecerá.


José Cunha Rodrigues

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Bibliografia

Entre o Ter e o Querer, Editorial Minerva 2000
Entre os Quês e os Porquês, Editorial Minerva 2002
Mensageiro da Poesia Volume I
Mensageiro da Poesia Volume II
Mensageiro da Poesia Volume III
Editados pelo Mensageiro da Poesia , Associação Cultural Poética . Antologias de vários autores .
Da Outra Margem -Antologia Poética de vários autores da Diáspora , residentes em vários países e continentes. Edição Instituto Camões. Lançada em Genebra aquando da feira internacional do livro e da imprensa, em 2001
Elos da Poesia _ Colectânea de poemas de autores de língua Portuguesa, recolha feita na NET pelo Grupo - Elos da Poesia - Lançado em Lisboa e em vários locais no Brasil .
Ecos da Poesia I , lançado pelo grupo da Net - Ecos da Poesia _. Autores vários, lançado em Lisboa e Brasil.
Dois povos um destino - do grupo da Net - ECOS da POESIA- lançado em Lisboa e Brasil .
A caminho estão:
ELOS da POESIA Volume II
Terceiro livro individual - Entre Ondas de Ar e Amar - a editar pela ABRALI, BRASIL.






quinta-feira, outubro 26, 2006

“Portugal está a perder de dia para dia um património cultural”

Jorge Rodrigues é um jovem artista e aventureiro, tem 35 anos, casado. Nasceu e cresceu na margem direita do Cávado (Vila de Prado), estudou em Braga onde se formou em electrónica, foi arquitecto de casas de granito, típicas do Gerês em miniatura e que actualmente cria esculturas figurativas na madeira que recolhe na natureza...





Manuel Araújo


— Jorge, como é que tudo começou?

Jorge Rodrigues — Na verdade desde muito cedo, teremos mesmo que remontar a tenra infância, pois desde que me conheço sempre aproveitei as matérias-primas e as ideias que a natureza deixava ao meu dispor, assim começamos o curso de engenharia para a vida, comigo aconteceu.

— Porquê também as “casinhas do Gerês?

JR — Desde cedo também, desejei conhecer além do que a vista alcança, e cedo descobri por mim a beleza que a aquela cordilheira ostentava, uma espécie de solo sagrado, onde a inspiração se sente nas veias do corpo.
A arquitectura rural nas serranias confunde-se com a própria ternura da paisagem, o granito sobrevive na imensidão do tempo, o homem molda-o na imensidão do espaço, assim comecei a criar as minhas casas em miniatura com matéria prima natural, o granito, inspirado nas mais belas e encantadoras aldeias que me saltavam á vista.

— As esculturas em madeira que crias representam o mundo da fantasia. Em que contexto as enquadras?

JR — Elaborei alguns textos mas tenho como mais esclarecedor o que passo a citar:
“As lendas dos duendes e gnomos das florestas montanhosas, são tão antigas como a história das culturas que nos precederam.
Dos Celtas, ficaram as mais belas fantasias destes pequenos habitantes que guardam os segredos da Natureza e a protegem do infortúnio. Das encostas e vales do Gerês sonham com o vento, voam com as águias e reúnem nos pequenos e idílicos prados, dos planaltos de encantar.
O corte da goiva, deixa sonhos do vento que por lá passou e olhares de sol poente...
A madeira vive para além da morte...
O universo é infinito...
Cada trabalho é único em homenagem à Natureza... “

— Como defines a tua Arte?

JR — Vou tentar definir pelo que sinto em relação ao que crio em paralelo com o retorno do publico, uma arte que tem sempre por base algo que a natureza através do tempo trouxe até mim, onde a minha função é atribuir-lhe beleza e “sentimentos”, essencialmente figurativa mas com uma forte componente naturalmente criada.

— Qual a importância da tecnologia no artesanato?

JR — È de grande importância. No meu caso o processo de trabalho é 100% manual, trabalho com goivas que cortam segundo a minha vontade e criatividade, não é precisa tecnologia, mas para ter entrada no mundo globalizado a tecnologia é fantástica.

— Consideras o resultado do teu trabalho, arte, ou objectos de consumo?

JR — Na verdade não são objectos consumíveis, são esculturas ou composições esculpidas que transmitem emoções.

— Durante os últimos anos, tens criado e vendido um vasto leque de belas obras. De todas elas, existe alguma que se destaque de entre as demais e porquê?

JR — A pergunta desperta a saudade de algumas peças que realmente me marcaram e que recordo por vezes, mas são bastantes, é difícil eleger uma, contudo tenho um aldeamento de casas de granito em miniatura que além de ter sido premiado em concurso, leva de mim um grande valor sentimental.

— Que achas do estado actual da escultura portuguesa. Os artesãos, são apoiados por alguma entidade pública ou privada?

JR — Penso que Portugal está a perder de dia para dia um património cultural nesta área que jamais conseguirá reparar, julgo assim responder com pesar ás duas questões.

— Nos moldes actuais, a Arte de esculpir tem futuro?

JR — Acho que não vai passar muito tempo para que se comecem a valorizar as coisas que são realmente genuínas, essa valorização hoje já existe por parte de muitas pessoas exigentes e conhecedoras. É necessário marcar diferença.

— Vives exclusivamente do artesanato?

JR — Posso dizer que sim embora me complemente com outras actividades.

— Onde está situado o teu atelier?

JR — Situa-se em Braga onde vivo, e é o meu espaço pessoal para dar asas á imaginação. Durante os fins-de-semana do Verão o meu atelier fica ao público no hall de entrada da Gelataria do Gerês, onde trabalho e exponho.

— Sei que tens um hobby fora do comum, queres falar dele?

JR — Bem, são vários, na verdade depois dos trilhos pedestres que faço nas serras para recolher matéria prima onde junto o útil ao agradável, reservo algum tempo para o pára-quedismo desportivo como instrutor e para a minha equipa Tri Campeã Nacional de Precisão de Aterragem, para a caça submarina e para o voo em paramotor e sempre aberto ás novidades de aventura.

domingo, outubro 22, 2006

Jorge Rodrigues

A outra faceta do escultor Jorge Rodrigues.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Jorge Rodrigues - Escultor

Vencedor do concurso de Artesanato, organizado no ambito das Festas das Colheitas em Vila Verde.

domingo, outubro 15, 2006

Ratzinger fez cartilha secreta para "ocultar crimes sexuais".

Nunca gostei da personagem do Sr. Ratzinger. Tem ar de pessoa que não me inspira confiança, não me interessa que agora seja papa... e também não é pelo motivo de já aos 18 anos, fazer parte do exército nazi, porque foi militar por —"obrigação"— como argumenta... pronto, não gosto. São gostos...

E agora, eis que a BBC, com uma notícia intrigante, que avoluma ainda mais, a minha desconfiança:

Trata-se de um documento secreto do Vaticano, elaborado pelo então cardeal Joseph Ratzinger, o actual Papa, que terá sido utilizado durante 20 anos para instruir os bispos católicos sobre a melhor forma de ocultar e evitar acusações judiciais em caso de crimes sexuais contra crianças.

Leia o artigo completo clique aqui