Entre VIPs, amnésia ou Alzheimer, um “pasquim” generalista,
apartidário, laico, livre e grátis, num jantar de confraternização, em
que convidados dizem ir e não vão, doses nostálgicas e aventuras de
loucos, existe uma Associação, que irá ser acusada pela extinção de uma
espécie rara. Houve unanimidade quando foi afirmado que “tamanho não é
qualidade” e, já mesmo no fim do repasto, a exclamação que ninguém
esperava, mas todos concordaram: que se lixe... pecar é tão bom!
Convidados
O Centro Lusitano de Zurique convidou algumas individualidades para um jantar de confraternização. Duas vieram de Portugal.
Orlando Dias Agudo, nosso colaborador, jornalista da RTP aposentado, de reconhecido mérito, conhecido em todo o mundo e que, além disso, escreve muito bem — inclusive poemas cantados por vários intérpretes da Lusofonia, embora poucos saibam disso — foi um dos convidados.
Pontual e religiosamente, todos os meses, ele nunca falha com as suas crónicas, “Nós por cá”, sempre atuais, lúcidas, ácidas e, por vezes, acintosas, bem ao gosto dos nossos leitores.
Amnésia ou Alzheimer?
Quanto à segunda “personalidade” (1), ninguém entende por que foi convidada. Afinal, o indivíduo não canta, não declama, não é ator, não dança, não é “marioneta”, nem “malabarista”, nem “poeta”; não tem “negócios”, nem qualidades oratórias e, tampouco, é “íntimo” de políticos ou deputados. E... “não sabe escrever”, porque se “soubesse”... bom, adiante! (2)
É acusado por “sumidades” de ser — “uma inutilidade, um amador” — opinião que humildemente e democraticamente aceita...
Nas sociedades modernas, são cada vez mais frequentes os casos de doenças neurológicas. A Suíça não foge à regra, e sabe-se que “alguns” dos nossos portugueses podem já estar a sofrer dessas maleitas. Assim sendo, aconselho vivamente os críticos “iluminados” a procurarem saber mais sobre amnésia e Alzheimer.
É uma “doença” terrível... dá para “esquecer” TUDO. É de lamentar profundamente...
O “Pasquim”
Quanto à revista, que “alguns” apelidam de “pasquim”, reconheço que poderia ser diferente, mas, dadas as circunstâncias, é o que é... E, mesmo assim, no seu género, não tem concorrentes: generalista, apartidária, laica, livre e grátis! — “boa demais para ser dada à porta das igrejas” — referiu um “expert”, enaltecendo a sua qualidade.
Creio que assim irá continuar, até que a direção entenda o contrário. O — “amador inútil” — tudo fará ao seu alcance para fazê-la crescer, difundir, valorizar, transformar e incrementar a qualidade, tanto a nível gráfico como de conteúdos.
Orelhas a arder
Foi sentida a ausência de algumas pessoas, as quais muito estimo e que estão no rol dos meus amigos, que por “motivos de força maior”, à última hora, “roeram a corda”. Acredito que naquela noite, aquelas orelhas deviam estar a arder... e muito. Bem feito!
Nostalgia
A minha curta estadia na Suíça deu ainda para rever alguns velhos amigos e amigas. Muitos ficaram ainda por visitar, mas, em alguns casos, usei o telefone para colmatar a ausência física e atenuar a saudade. São esses que, em Portugal, me fazem recordar a Suíça.
À medida que a nossa visita progredia, um sentimento estranho, nostálgico, apoderou-se de mim. Mentalmente, passei em “revista” todos os anos ali vividos: os locais, pessoas, situações, cheiros, os bons e os maus momentos das duas décadas que ali “gastei”... Gostei de rever, mais uma vez, a Suíça. Mas, muito mais, gostei de rever as pessoas.
Perdoa-me, oh Helvétia... mas Portugal é Portugal...
Aventura
Como já referi, tive o prazer de acompanhar todos os passos do meu “velho” amigo Orlando Dias Agudo.
Para ele, representou apenas mais uma visita rotineira às nossas Comunidades, mais uma viagem... mas notei que esta experiência, em Zurique, foi diversa.
Já no avião, na viagem de regresso a Lisboa, um dos temas de conversa foi a aventura da visita às quedas de Schafhausen, a “Rheinfal”, efetuada na companhia do “insano” Pedro Nogueira.
Estava uma tarde de chuva torrencial. A descida era própria para loucos: chuva, vento, pouca visibilidade, degraus escorregadios... mas lá fomos! No final da visita, demos o “braço a torcer” e admitimos que valeu a pena a “encharcadela”. Foi realmente maravilhoso, lindíssimo. Queixamo-nos de São Pedro por não ter colaborado... Sei que podíamos ter metido uma “cunhazita” na noite anterior, mas o seu “representante” já se tinha ausentado...
A extinção da espécie
Outro dos temas que não podia passar ao lado foi o — “excesso” — gastronómico dos pratos de bacalhau servidos no CLZ.
— “Aquilo foi, certamente, uma exceção” — comentámos. — “Pois, se servem sempre assim, essa Associação irá ser uma das principais culpadas pela extinção da espécie” — disse alguém sentado ao meu lado.
A abundante variedade de sobremesas, executadas com primor pelas esposas de alguns associados, estavam apetitosas, de fazer crescer água na boca. Mas não eram muito aconselháveis aos “controladores das balanças”, nem aos seguidores da “silhueta perfeita” e dos gulosos “redondinhos”.
“Tamanho não é qualidade”
Diz o povo que — “tamanho não é qualidade” — mas, aqui, no que se refere ao repasto, o provérbio falhou redondamente, pois era tudo tamanho “XXL” e uma delícia. Recomenda-se uma visita ao CLZ.
“Que se lixe... pecar é tão bom!”
Atrevo-me a dizer que, nessa noite, a Gula — “pecado” para alguns católicos — imperou, e o “pecado” foi ignorado. Fez-se da lei “tábua rasa” e, por isso, para os “gulosos”, alguns lugares estão já reservados no “inferno”.
— “Que se lixe... pecar é tão bom!” — disse alguém que me recuso a identificar...
Obrigado!
A nossa estadia em Zurique e a vossa amigável hospitalidade foram excelentes, e quero agradecer-vos.
Não houve muito tempo para falar com todos os membros da direção, nem sobre o Futebol, nem sobre o Rancho. Houveram conversas inacabadas... e a saída foi precipitada, sem despedidas. Desculpem-me.
Para terminar, uma palavra de apreço aos obreiros da cozinha, do serviço de mesa e a toda a equipa, que fizeram tudo o que lhes foi possível para bem servir.
À direção e aos seus familiares, particularmente ao Pedro Nogueira, que se “multiplica” para que o CLZ continue no rumo que considera certo, desejo-vos, tanto a título pessoal como profissional, os maiores êxitos.
Muito obrigado!
Notas:
(1) Jornalista freelancer, possuidor da Carteira Profissional de Jornalista nº 4365 e da International Press Card nº 3955.
(2) Vai tentar “aprender” e depois contar “estórias”...




