sábado, julho 01, 2006

"Que se lixe... pecar é tão bom..."

No Lusitano de Zurique ...

Entre VIP´s, amnésia ou Alzheimer, um “pasquim” generalista, apartidário, laico, livre e grátis, num jantar de confraternização, em que convidados dizem ir e não vão, doses nostálgicas e aventuras de loucos, existe uma Associação, que irá ser acusada pela extinção de uma espécie rara. Houve unanimidade, quando foi afirmando que “tamanho não é qualidade” e já mesmo no fim do repasto, a exclamação que ninguém esperava, mas todos concordaram : que se lixe... pecar é tão bom !.


  • Manuel Araújo (1)

Convidados

O Centro Lusitano de Zurique convidou algumas individualidades para um jantar de confraternização, duas foram de Portugal.

Orlando Dias Agudo, nosso colaborador, jornalista da RTP aposentado, de reconhecido mérito, conhecido em todo o Mundo e até escreve muito bem, inclusive poemas, que são cantados por vários cantores da Lusofonia, pouca gente sabe disso... ele foi um dos convidados.

Pontual e religiosamente, todos os meses, nunca falha com as suas crónicas, “Nós por cá”, sempre actuais, lúcidas, ácidas e por vezes acintosas, bem ao gosto dos nossos leitores.


Amnésia ou Alzheimer ?

Quanto à segunda “personalidade” (1), ninguém entende porque foi convidada, pois o indivíduo não canta, não declama, não é actor, não dança, não é ”marioneta” não é “malabarista”, nem “poeta”, não tem “negócios”, nem qualidades oratórias, e nem sequer é “íntimo” de políticos ou deputados e... “não sabe escrever”, porque se “soubesse”... bom, adiante ! (2)

É acusado por “sumidades”, de ser —“uma inutilidade, um amador”—, opinião que humilde e democraticamente aceita...

Nas sociedades modernas, são cada vez mais, os casos de doenças neurológicas. A Suíça não foge à regra e sabe-se que “alguns” dos nossos portugueses podem já estar a sofrer dessas maleitas. Assim sendo, aconselho vivamente os críticos “iluminados”, procurarem saber mais sobre amnésia e Alzheimer.

É uma “doença” terrível... dá para “esquecer” TUDO, é de lamentar profundamente...


Quanto à revista, que “alguns” apelidam de “pasquim”, reconheço que poderia ser diferente, mas dadas as circunstâncias, é o que é... e mesmo assim, no seu género não tem concorrentes; generalista, apartidária, laica, é livre e grátis !. —“boa demais para ser dada à porta das igrejas”— referiu um “expert”, enaltecendo a sua qualidade.

Creio que assim irá continuar, até que a direcção entenda o contrário. O —“amador inútil” — tudo fará o que estiver ao seu alcance, para a fazer crescer, difundir, valorizar, transformar e incrementar qualidade, tanto a nível gráfico, como em conteúdos.

Orelhas a arder

Foi sentida a ausência de algumas pessoas, as quais muito estimo e que estão no rol dos meus amigos, que por “motivos de força maior”, à última hora “roeram a corda”. Acredito que naquela noite, aquelas orelhas deviam-lhe estar a arder e muito... bem feito!!!

Nostalgia

A minha curta estadia na Suíça, deu ainda para rever alguns velhos amigos e amigas. Muitos, ficaram por ainda por visitar, mas em alguns casos, foi usado o telefone para colmatar a ausência física e atenuar a saudade. São esses, que em Portugal me fazem recordar a Suíça.


À medida que a nossa visita ia progredindo, um sentimento estranho, nostálgico, se apoderou de mim e mentalmente, passei em “revista” todos os anos ali vividos, os locais, pessoas, situações, cheiros, os bons e os maus momentos, das duas décadas que ali “gastei”... Gostei de rever mais uma vez a Suíça, mas muito mais, gostei de rever as pessoas. Perdoa-me, oh Helvétia... mas Portugal, é Portugal...

Aventura


Como já referi, tive o prazer de acompanhar todos os passos do meu “velho” amigo Orlando Dias Agudo.

Para ele, representou apenas mais uma visita rotineira às nossas Comunidades, mais uma viagem... mas notei, que esta experiência, em Zurique foi diversa.

Já no avião, na nossa viagem de regresso a Lisboa, um dos temas de conversa, foi a aventura da visita às quedas de Schafhausen, a “Rheinfal”, efectuada na companhia do “insano” Pedro Nogueira. Estava uma tarde de chuva torrencial, a descida era própria para loucos, chuva, vento, pouca visibilidade, degraus escorregadios, mas lá fomos... Mas no final da visita, demos o “braço a torcer” e admitimos que valeu a pena a “encharcadela”. Foi realmente maravilhoso, lindíssimo. Queixamo-nos de S. Pedro, por não ter colaborado... sei que podíamos ter metido uma “cunhazita” na noite anterior, mas o seu “representante”, já se tinha ausentado...

A extinção da espécie

Outro dos temas que não podia passar ao lado, foi o —”excesso” — gastronómico dos pratos de bacalhau servidos no CLZ... —”aquilo foi, certamente uma excepção”— comentamos, — “pois, se servem sempre assim, essa Associação irá ser uma das principais culpadas pela extinção da espécie”—, disse alguém sentado ao meu lado. A abundante variedade de sobremesas, que foram executadas com primor, pelas esposas de alguns associados, estavam apetitosas, de fazer crescer água na boca, mas não muito aconselháveis aos “controladores das balanças”, nem aos seguidores da “silhueta perfeita” e dos gulosos “redondinhos”.


“Tamanho não é qualidade”






















Diz o povo que —”tamanho não é qualidade”—, mas aqui, no que se refere ao repasto, o provérbio falhou redondamente, pois era tudo tamanho “XXL” e uma delícia. Recomenda-se uma visita ao CLZ.

“Que se lixe... pecar é tão bom !

Atrevo-me a dizer, que nessa noite, a Gula, “pecado” para alguns católicos, imperou, e o “pecado” ignorado. Fez-se da lei “tábua rasa” e por isso, para os “gulosos”, alguns lugares estão já reservados no “inferno”. — “que se lixe... pecar é tão bom !”— disse alguém, que me recuso identificar...

Obrigado !

A nossa estadia em Zurique e a vossa amigável hospitalidade, foi excelente e quero-vos agradecer. Não houve muito tempo para falar com todos os membros da direcção, nem do Futebol, nem do Rancho.Houveram conversas inacabadas... e a saída foi precipitada sem despedidas, desculpem.

Para terminar, uma palavra de apreço aos obreiros da cozinha, do serviço de mesa e a toda a equipa, que fizeram tudo que lhes foi possível para bem servir.

Para a direcção e seus familiares, particularmente ao Pedro Nogueira, que se “multiplica” para que o CLZ continue no rumo que considera certo, desejo-vos tanto a título pessoal, como profissional, os maiores êxitos e muito obrigado !





  • (1) —É Jornalista freelancer, possuidor das Carteira Profissional de Jornalista nº. 4365 e da International Press Card nº. 3955
  • (2)—Vai tentar “aprender” e depois contar “estórias”....